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IngrisiaTerça, 29 de Agosto de 2006* Texto publicado originalmente na seção Pacientes terminais A geladeira nem estava tão longe. Talvez vinte passos, pensou. Talvez menos. E a cerveja devia estar tão geladinha... Que delícia. Mentalizou o caminho do quarto até a cozinha. Pensou no barulhinho gostoso da abertura da latinha. Quase juntou forças suficientes para levantar. Mas conseguiu apenas piscar os olhos. Ai, ai, uma cervejota...Prudentemente, havia desligado a TV. Mas agora isso era motivo de grande arrependimento, já que o controle remoto havia ficado em cima do aparelho. Até tentou atrai-lo para sua mão com a força do pensamento, mas logo percebeu que só ia ver mesmo o jogo do Timão mais tarde, no VT do Mesa Redonda. Vontade de tirar uma água do joelho. Não, não. Dá pra segurar. Fome... Ah, não, isso é bobagem. Mas e a cervejinha? Sem cerveja não dá. Olhou para a moça deitada a seu lado. Lembrou-se então de uma história de que tem gente que consegue fazer uma mulher virar uma lata de cerveja logo após o sexo. Era só mentalizar direitinho. É claro que é possível, pensou. E pensou, e pensou – sem se mexer, claro. Mas a preguiça era tanta que a mentalização virou cochilo. Acordou algum tempo depois com uma proposta de segundo assalto. Olhou bem para a mocinha, levantou-se e foi direto para a geladeira. Primeiro a cerveja. E sexo àquela altura só com a TV ligada. Na Gazeta, porque perder o Mesa Redonda já seria demais.
Mentex e
Costela | 1 comentário
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