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ÍndiosSegunda, 20 de Junho de 2005* Texto publicado originalmente na seção Pacientes terminais Por mais estranha que seja a estória a seguir, juro que presenciei tudo na primeira vez – e última, aliás – que fui a um karaokê. A noite corria normal até onde pode haver normalidade em um local em que pessoas pensam ter talento e querem provar isso aos outros.
Estávamos bebendo e falando de coisas comuns aos grupos, quando um cara atraiu nossa atenção, ao subir ao palco com uma máscara indígena na cara. Para espanto de todos, o silvícola apontou para uma mesa atrás da minha, onde havia um grupo de mulheres, e dedicou a próxima música à bela morena de cabelos cacheados. Tenho certeza que não estavam juntos, pois vi quando elas chegaram e a morena realmente se destacava. Posso dizer que o local inteiro compartilhou do suspense que se seguiu pois, mesmo em um karaokê, um cara com uma máscara daquelas causa alguma estranheza. Ao final, o mascarado desceu do palco e, para minha surpresa, a linda morena levantou-se e foi encontrá-lo, não sem antes não sacar de debaixo da mesa uma máscara de índio também. Só quando passou por mim percebi que da mesa ao meu lado um cara vestido de cawboy levantou-se e, armado de espingarda, atirou no casal que preparava-se para subir em um cavalo selvagem. Bastou. As amigas da cabelos cacheados entoaram um grito de guerra e passaram a atirar flechas para os lados dos cowboys. É, a essa altura, percebemos que o primeiro cowboy não estava só. O embate foi sangrento. Eu mesmo tive que fugir por entre flechas e tiros. Rastejei e saí do local, abaixado e protegido por uma mesa. Não me perguntem mais nada, pois nem olhei para trás. Somente prometi para mim mesmo que nunca mais voltaria a um karaokê. Só achei estranho que não tenha saído nada nos jornais, nos dias seguintes. No mínimo, acharam que a sociedade não engoliria a estória.
escrevi e saí correndo:
Fábio Inverídico | Dois comentários
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