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I Walk The Line

Quinta, 5 de Outubro de 2006

* Texto publicado originalmente na seção Pacientes terminais

Começou quando, na adolescência, descobri o fascínio que as mulheres têm por homens perigosos, bandidos, maus-elementos e desajustados em geral.

Foi por isso que comecei a burlar a lei. Atravessava o sinal fora da faixa, falava alto em biblioteca e jogava o papel higiênico na privada. Eu não respeitava autoridades. Ninguém mandava em mim.

Quem eles pensavam que eram pra dizer como eu devia colocar a pilha no controle remoto? Eu não ia aceitar isso.

As garotas da escola ficavam loucas. Ah, ficavam. Elas todas diziam coisas como:

- Lá vai o Daniell. Você sabia que ele não agita o Toddyinho antes de beber?

- É, ele não respeita autoridades. O Daniell é indomável.

Bons tempos, esses de rebeldia. Os mais velhos me avisavam dos riscos de levar uma vida assim, mas eu não me importava. Até que aconteceu. Fui pego. Peguei treze anos de prisão por ter devolvido a fita na locadora sem rebobinar.

Eles fazem coisas horríveis com os presos que não rebobinaram as fitas de vídeo. Na cadeia, fui sujeitado diariamente a atrocidades como pescotapa, pisão no pé e até rimas infelizes com o meu nome.

Tudo isso serviu para que eu me recuperasse. Hoje, aos 28, sou um homem livre, que anda na linha e que sempre respeita as normas que a sociedade impõe.

Só de vez em quando, para trazer de volta minha juventude, ultrapasso a linha amarela no metrô.

De acordo com Daniell Rezende | 7 pessoas já deram o comentaise.