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Excesso de higieneSábado, 11 de Março de 2006* Texto publicado originalmente na seção Pacientes terminais Nunca simpatizei com pessoas que têm mania de limpeza. Acho desnecessário e irritante. Não é uma questão de fazer apologia à sujeira ou defender a falta de higiene. Mas tem muita gente por aí que vai para o outro extremo sem perceber.Sou da opinião de que tudo tem limite. Para mim, os excessos são prejudiciais, inclusive de asseio. Vamos aos exemplos: é muito legal pegar uma garota com cheiro suave de xampu no cabelo, mas é horrível sair com uma mulher que se encharcou de perfume; é fundamental escovar os dentes após as refeições e até mesmo passar fio-dental, mas bochechar Listerine é o fim da picada. Há um monte de situações em que a pessoa peca por querer ser higiênica. E quando o assunto envolve sexo, as aberrações são ainda maiores. Tem aqueles que interrompem as preliminares, pedindo licença para lavar as mãos. Também conheço uma moça que só faz sexo oral se o lençol ficar por cima do pinto. Não tem cabimento nenhum. Outra coisa ridícula é o homem que seca ou, até mesmo, lava o bilau após mijar. Também são bizarras aquelas mulheres que cumprimentam as pessoas com beijinhos, sem encostar. Elas chegam bem ao lado do seu rosto e fazem apenas aquele conhecido barulhinho do beijo. Muito esquisito... Tomar banho é a mesma coisa. Banho é um por dia. Nem mais e nem menos. Salvo situações anormais para ambos os lados. Porém, tem gente que se orgulha de dizer que toma de três a quatro por dia. São os fundamentalistas da ducha. Os extremistas da limpeza. O pior é que esse povo limpão tem certeza de que está com a razão. Para eles, quem não faz o mesmo é um bando de porcos. Gente de terceira, imunda, e que não vale a pena conviver. Pobres errantes. Não sabem o mal que causam à saúde. Eu acredito na sabedoria dos mais velhos e sigo os seus conselhos. E como dizia o avô de uma amiga minha: o banho gasta as vitaminas da pele. |