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Edinho

Quinta, 16 de Junho de 2005

* Texto publicado originalmente na seção Pacientes terminais

Muito se fala de garotos prodígio como Mozart, Jorge Luis Borges e Jordy. Mas existe um que o tempo apagou, mas que foi o mais revolucionário de todos.

Edinho era, definitivamente, um menino prodígio. Sua arte, no entanto, não era a música, a literatura ou o malabarismo. Era a bola de cuspe. Edinho fazia bolas de cuspe como ninguém. Aos dois anos, suas bolas de cuspe já superavam as de garotos mais velhos e até as de vários adultos.

Percebendo isso, seu pai, o Edão, decidiu explorar o talento do filho para ganhar dinheiro - como fez o pai de Beethoven. Forçava o menino a ficar treinando bolas de cuspe o dia inteiro e, se a bola estourasse, Edão batia com uma raquete de frescobol em suas mãos. Ele era muito perfeccionista em se tratando de bolas de cuspe.

Tanto castigo e esforço compensou. As bolas de cuspe de Edinho ficavam cada vez maiores e pessoas do mundo inteiro queriam vê-las. Eram bolas que só estouravam a golpes de serra elétrica e atingiam até um metro e meio de diâmetro, maiores até que o próprio Edinho. Ele aparecia em programas de grande audiência, como o Clube do Bolinha e o Leilão de Tapetes.

No entanto, antes que o dinheiro começasse a entrar pra valer, surgiu Léo, outro garoto que fazia sons impressionantes colocando a mão no sovaco. Todas as atenções da mídia se desviaram para Léo, mencionado como "O Mozart do Sovaco", e hoje seu pai está milionário.

O pai de Edinho agora está investindo na sua filha mais nova, que faz uns barulhos bem estranhos com a boca e pode render alguma graninha.

De acordo com Daniell Rezende | Comentaise!