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Dos pecados, o menor!

Quinta, 31 de Agosto de 2006

* Texto publicado originalmente na seção Pacientes terminais

Para Afonso Coimbra da Silva, Afonso Camargo Mariano e Teodoro Alburquerque Marques

Não há como escrever sobre a preguiça sendo imparcial. A preguiça é sempre parcial, pois impreterivelmente opta pelo caminho mais curto, mais fácil, ou até por caminho algum. O que ninguém pode acusá-la é de não tomar partido, pois sempre toma: o dela!

A preguiça é um daqueles pecados menores. Que beira a insignificância. Como a mentira e o adultério, por exemplo.

Tanto é que, em alguns estados e cidades, virou característica do povo. “Ou és preguiçoso ou não és baiano”.

Mas exemplos existem às pencas. Não se limitando ao espaço geográfico, ou populacional. È uma característica por vezes genética, e todo mundo sabe: contra a genética não se luta!

Escrever sobre a preguiça é blasfemar o próprio instituto. Não há, portanto, outro meio de defender a preguiça que a prática. O exercício de suas faculdades. O pleno gozo de todos os seus atributos.

Não se defende a preguiça com passeatas, associações, reuniões, leis ou audiências. Defende-se, no máximo, com umas duas palavras, monossilábicas de preferência.

A preguiça é uma dádiva e um tormento. Dádiva, pois ao gozar deste pecado, quase sempre deixamos de praticar outros. Deixamos da gula! Ao exemplo: sabemos que um “sonho de valsa” possui 120 kcal. Você perde 120 kcal se caminhar dois quilômetros. Logo, se você comer um “sonho de valsa”, terá de andar dois quilômetros para perder as calorias consumidas. Então, projete mentalmente este bom-bom a dois quilômetros de onde você está. Você andaria estes dois quilômetros para comer um sonho de valsa? Não creio. Vê?

A preguiça nos abre os olhos para o custo x benefício de tudo. Do sexo à ira, passando pelo emprego, vida, religião, estudo, tudo. Quem nunca ouviu a expressão: “Ficar bravo com fulano é dois serviços: ficar e deixar de ficar!”. OU então, “Queria, mas não vou deixar este emprego, pois se não vou ter que procurar outro”. Vê? A preguiça agindo? Encurtando tudo.

A preguiça é uma espécie de vidente particular de cada um. Uma quiromancia barata, de resultados práticos surpreendentes, e outros terríveis.

Sim, a preguiça também tem o seu lado ruim. Qual teria prazer em falar esmiuçadamente, se não estivesse com tanta preguiça! Anotem: falar da preguiça dá preguiça! E tenho dito!

Introduzido (ui!) por fezon, o que virá | Comente e ganhe prêmios!