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Do AC-DC ao Molejão

Segunda, 27 de Março de 2006

* Texto publicado originalmente na seção Pacientes terminais

Eu tinha uns 17 anos, se eu não me engano, quando peguei o trem até a Barra Funda e andei até o Pacaembu a pé para ver o show mais legal da minha vida. Era 12 de outubro e eu me senti feito criança quando o guindaste quebrou o muro em frente ao palco e os caras do AC-DC entraram arregaçando no palco, logo de cara com Back in Black.

O show não podia ter sido melhor. Músicas famosas, galera ensandecida e o Angus de bermuda e paletó no palco. Entre uma e outra macaquice dos componentes da banda, tiros de canhões, sinos enormes que badalavam sem parar e até a boneca inflável de uma gorda vagabunda pintaram no palco. Foi demais, mesmo. Nem liguei de voltar de carona na Fuca maluca de um camarada que encontrei por lá.

Mas se o melhor show que eu vi na vida foi o do AC-DC (que me perdoem Beastie Boys, Pearl Jam, U2, Pixies e outros), o que dizer então do melhor show que eu não vi em minha vida? Foi o do Ramones, é claro. Qualquer um deles.

E o engraçado é que, agora que estou mais velho, todos os shows que vejo acho um dos melhores ou piores que vi na vida. Não tem meio termo. O do Robertão, por exemplo, foi um dos melhores. Já o do Living Colour, afe mãe, que terrível. Nada se compara ao showmício do Yahoo que eu vi aos 10 anos, mas mesmo assim...

Bom, o show do Yahoo foi aberto pelo Paulinho da Viola, o que na época achei terrível, mas hoje penso que deve ter sido bem bacana. Fui com minha tia. Rolou em frente a padaria, lá na esquina de casa.

E nessa levada ainda assisti a muitas outras porcarias, como Daniel (três vezes), É o Tcham, Golden Boys, Supla, Gerasamba, Zé Pedro e Zuca e até mesmo o Molejão, aquele do “vai varrendo, vai varrendo”. Mas esse é o tipo de coisa que qualquer homem se sujeita quando está atrás da mulherada. Esse, porém, é outro assunto...


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