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Dinheiro. Pra que te quero?
Dinheiro. Pra que te quero?
Segunda, 6 de Junho de 2005
* Texto publicado originalmente na seção Pacientes terminais
Os diálogos abaixo se baseiam em fatos bizarros, mas reais. Os nomes foram trocados para preservar os envolvidos.
– Olha, Sérjo, aquele trompete ali está em promoção... – afirma Fazio, olhando para a vitrine e visivelmente emocionado.
Serjo, ao celular com a nossa amiga Reneta: – Ó, meu Deus, Rê, agora o Fazio está indo comprar um trompete...
A esta altura da vida, Fazio já tinha comprado um bongô, um skate, uma máscara de hóquei, um patinete, um daqueles negócios para boxeador ficar socando bem rápido e gasto aproximadamente o valor de um carro em camisas de times de futebol.
Sim, de fato, ele nunca negou que fosse um consumista desenfreado. Pudera, como é que ele poderia negar também.
Só ficava chateado quando os amigos não o compreendiam, dizendo que ele só comprava coisas inúteis... e ele tinha ainda que explicar suas razões.
– Pra que comprou um patinete, porras!? – indaga Serjo, violentamente.
– Ués, trabalho na Avenida Pacaembu (lá embaixo) e tenho que descer do metrô Clínicas (lá em cima), logo, posso levar o patinete desmontado no ônibus-metro, monto o bicho, corto pelo cemitério do Araçá e tchums, estou no trabalho rapidinho.
(Tá, na prática, Fazio só fez isso uma vez, porque o patinete – da marca Glaslite e muito bonito, aliás – , pesa pra caralho e também porque a porra da ladeira que tinha que ser vencida era toda esburacada)
A mesma coisa aconteceu com a máscara de hóquei...
– Pra que comprou uma máscara de hóquei? Você não joga! – espanta-se Serjo, sempre ele.
– Mas olha, é feito com um material que dura a vida toda...– rebateu Fazio.
– Pra que você quer uma máscara de hóquei que dure a vida toda? – insiste Serjo.
– Pra tirar uma chinfra, ués?! – arremata Fazio.
E antes que alguém pense: ah, mas ao menos o bongô e o skate têm utilidade. Primeiro: o bongô durou uma mísera viagem, pois teve o couro estourado a pancadas. Segundo: o skate só serviu para quebrar um vaso e foi devidamente aposentado. Isso, sem comentarmos o tal negócio para boxeador ficar socando bem rápido.
Ele diz que está melhor, mas outro dia estava de olho em um aparelhinho verde e cinza. Que custava uns 120 paus, mas não fazia a menor idéia para que servia
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