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Deixe seu recadoSexta, 13 de Maio de 2005* Texto publicado originalmente na seção Pacientes terminais Era o fim! Mas o fim não poderia ser assim: tão simples. Precisava de mais uma chance. Tentar mais uma vez. Lutar até as últimas forças e, aí sim deixar que o fim o consuma. Tinha que dar mais uma chance a si, a sua própria vida. Um telefonema. Um não! Três. Três telefonemas. Se alguém o atendesse, desceria daquela solidão e desistiria do telhado.Roberta era a culpada daquilo tudo. Uma boa conversa com ela resolveria. Poderia até o deixar feliz. Ela certamente teria uma boa justificativa para estar com aquele cara. Ligou. Chamou até cair na caixa postal. Tentou de novo – “ela poderia estar no banho”, pensou. Caixa postal. Tentou mais uma, duas, oito vezes e nada! Ligou para Bárbara. “Mãe sempre está disposta a escutar o filho”. Ele acertou na teoria, mas errou no horário: nenhuma mãe atende o filho as cinco da manhã. Pelo menos não Bárbara, entupida de barbitúricos e Martini. Sequer atendeu uma das sete ligações. Dr. Gomes ia lhe salvar. Ele tinha que atender. “Psicólogo é pra isso não é?”. ”Ainda mais se for seu pai”. A cada ligação não atendida, a cada toque, sentia o sangue lhe pressionar as artérias. E um descompasso do coração alvoroçado. Era um sinal. Um péssimo sinal. Mais doze ligações... em vão. Ele não ia desistir, queria ser salvo! Repassou a tríplice lista - “só mais uma ligação para cada!”. Esforço inútil. O desgosto tomou o lugar da esperança e, aquela procura por salvação, como tudo, havia perdido o sentido. Não daria mais um segundo àquela bobagem e insignificância que chamam de vida – “esse eufemismo dado à desgraça”. Não havia mais razões para protelar aquilo. Então o telefone toca. “Finalmente”, pensou. Pôde ver no visor que era Roberta. Pôde até alegrar-se a ponto de sorrir. Só não pôde interromper a queda.
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fezon, o que virá | Comente e ganhe prêmios! (12 caíram)
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