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Benito di Paula e seu implacável piano de cauda

Sexta, 8 de Abril de 2005

* Texto publicado originalmente na seção Pacientes terminais

A música brasileira tem três referências incontestáveis: Sidney Magal, Reginaldo Rossi e Benito di Paula. Magal e Rossi, além de músicas belíssimas, destacam-se por sua atuação no palco, um com rebolados e estilo de amante latino, o outro com seu carisma e cabelos sem igual.

Mas quero falar mesmo é do Benito. Esse é realmente um gênio da música nacional. É incrível como ele consegue ser direto, falar ao coração das pessoas, valorizar as belezas do Brasil.

Veja uma parte do clássico Proteção às borboletas:

Eu sou como a borboleta
Tudo o que eu penso é liberdade
Não quero ser maltratado
Nem exportado desse meu chão

Neste hino aos valores nacionais, a conhecida Mulher Brasileira, note o amor à Pátria:

Agora chegou a vez, vou cantar
Mulher brasileira em primeiro lugar
Norte a Sul do meu Brasil
Caminha sambando, que não viu
Mulher de verdade, sim senhor
Mulher brasileira é feita de amor

Para o amigo Charlie Brown, ele apresenta o país:

Se você quiser, vou lhe mostrar
A nossa São Paulo, terra da garoa
Bahia de Caetano, nossa gente boa
A lebre mais bonita do Imperial
Meu Rio de Janeiro e nosso carnaval

Mas, para finalizar, a genialidade está mais presente ainda nesses versos de Assobiar ou Chupar Cana:

Seria muito bom, seria muito legal
Se cantor ou compositor pudesse ser ator ou jogador de futebol
Nem tudo pode ser perfeito
Nem tudo pode ser bacana
Quero ver um cara sentado na praça, assobiar e chupar cana

É por todos esses motivos que Benito di Paula deve ser reabilitado. Deve tocar nas rádios, aparecer todo o domingo no programa do Faustão. Ele e seu piano de cauda. Além disso, Meu Brasil, Meu Doce Amado deve substituir o Hino Nacional nas comemorações oficiais.

Viva Benito di Paula!


por Kleber Carrilho | 203 comentários.