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As luxurisoas memórias de Frank K. Litherman, IV

Quinta, 19 de Janeiro de 2006

* Texto publicado originalmente na seção Pacientes terminais


(*)Para: Lucia Flavia, Vanice Marjorie e Tia Odete

Lembro-me de minha adolescência. Pouco antes de começar a trabalhar. Catorze ou quinze anos de idade. Minha vida era vadiar pelas ruas do bairro, descabaçar uma ou outra filhinha de madame, fazer a festa nas coxas das empregadas de mamãe e tomar tubaína no boteco do Seu Afonso.

Meu pai não suportava mais minha vadiagem e me fez escolher: arranjar um emprego ou sair de casa. Não ia perder a mamata e os confortos que minha adorada mãe, caprichosamente, me oferecia. Fui auxiliar o Seu Afonso no bar. Era um emprego fácil. Atender a fiel clientela de bêbados, uma carrada de moleques que vinham comprar doces e sapear o jogo de cartas ou sinuca e, as donas-de-casa que apareciam para comprar leite e conferir se o marido não estava no bar. Para os mais tradicionais e as madames, marcava na caderneta branca. Para os moleques e os inadimplentes, só com dinheiro.

Eu estava a três meses no emprego quando a mulher do Seu Afonso ficou doente. Precisou ir para um hospital maior, numa cidade vizinha. Então, ou Seu Afonso fechava o bar a semana toda, ou me colocava para tocar o lugar. Para minha sorte escolheu a segunda opção.

Minha mãe chorou de orgulho quando contei como eu era responsável. Até meu pai esboçou um sorriso antes de me aconselhar a não estragar tudo. Vanice não falou nada, só estava com os olhos mais brilhosos que o habitual.

Vanice era irmã de meu pai. Meia-irmã. É fruto do segundo casamento do meu avô. Ela tinha uns vinte e tantos. Estava morando conosco desde que meu avô faleceu e a mãe dela se amasiou com um médico garotão. Gostosa de rachar, a Vanice. A molecada parava na frente de casa pra ver ela passar e depois se matar na punheta. Eu não gostava muito dela. Morava a mais de um ano lá em casa e nunca tinha falado direito comigo. Sempre me tratava como um pirralho, a vadia.

Ela sabia que eu fechava o bar às nove e meia. Por isso apareceu naquela hora. O bar já vazio - tinha acabado de me livrar do último bêbado. Um litro de leite, sua mãe pediu. Conversa fiada. Ela queria me dar. Eu senti isso. Sempre sei dessas coisas. O perfume exagerado dela só confirmava o que eu já sabia. Ela não trepava com ninguém há mais de um ano, pois, desde que foi morar lá em casa, só ficava na barra da saia da mamãe. A abstinência a fez me enxergar como um homem, pela primeira vez. Ela pegou a sacolinha com o litro de leite e foi saindo, rebolando. Nunca tinha visto ela numa saia daquelas. Vadia. Quer ajuda pra fechar? Quero sim - vadia.

Nunca tinha cheirado uma buceta tão perfumada. Cheia de pêlos como as das empregadas, mas por dentro e por baixo, lisinha, como das menininhas que descabaçava no bosque, ao lado do campinho. Coloquei-a em cima da mesa de sinuca e chupei o quanto ela me deixou. Lambi tudinho. Até o cuzinho era liso e cheiroso. Vadia. Ficou de quatro. Era a primeira mesa de sinuca com oito caçapas que eu tive noticias. Pode escolher o buraco e mete este teu taco bem fundo! Só de roçar o meu pau no rabo daquela mulher eu gozei. Foi tudo no cabelo dela e no carpete da mesa. Ela gemeu alto. Não para, mete! Mete tudo! Me fode toda! Eu meti, fodi, lambi, gozei mais um tanto de vezes. Virei ela do avesso, de pernas para o ar, a vadia. Até a exaustão.

Ela deitou do meu lado. Estava precisando disso - você é muito bom, nossa! Eu agradeci. Mas, tudo que eu sentia era uma moleza no corpo e as queimaduras de carpete latejando pelo corpo. Ela queria saber se podia voltar amanhã. Eu só queria saber como diabos eu ia tirar as manchas de porra da merda da mesa.



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