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As luxuriosas memórias de Frank K. Litherman, IIQuinta, 8 de Dezembro de 2005* Texto publicado originalmente na seção Pacientes terminais Para: Ivonei Tranqüilo, Maria E. Abulquerque e Márcia R. Ximenez Conheci Maria Elvira na faculdade. Era um amor de pessoa. Em festas da sala, ela era a única mulher que tomava cerveja, fumava e pedia truco estapeando o peito do adversário e gritando “Truco, seu bosta!”. Era mulher pra mais de metro. Não havia cocota da nossa turma que não invejasse o jeito de Maria Elvira. Enquanto todas pareciam chegar na sala de aula recém saídas do salão de beleza, Maria Elvira chegava de jeans e camiseta com frases de efeito. Uma delas dizia: “Eu engulo”, em curdo. Ninguém entendia. Ela se divertia. Enquanto todos ficavam medindo palavras para falar com os professores, Maria Elvira ia direto na ferida. Lembro de um professor que lhe deu cinco na prova de Direito Constitucional. Ela precisava de cinco e meio ou nove. Foi falar com o professor, um juiz de direito civil, e pediu para rever a prova. Quando ele respondeu que só revia prova para diminuir a nota, mandou ele tomar no cu e emendou dizendo que só tinha tirado cinco porque não tinha chupado ele, como faziam aquelas coquetes da sala, que viviam tirando nove e dez, mesmo sendo umas toupeiras. Isso a faculdade toda sabia. Ela sabia. Ele também. Mas a mulher dele, que estava próxima, acabara de ficar sabendo. Deu no que deu. Não demorei a me apaixonar por ela. Aquela sinceridade e falta de frescuras era o antônimo de tudo que eu já havia conhecido com relação às mulheres. Maria Elvira era o que eu precisava. Era o que todo homem precisava. Então me envolvi muito com ela. Ficamos muito amigos. Até passamos a jogar bola juntos. Toda terça e quinta. Ela de zagueiro, eu, meio-campo. Éramos uma dupla e tanto. Claro que o físico dela era muito mais privilegiado, de cima a baixo. Linda, loura e ambidestra. O melhor zagueiro que a faculdade teve notícias e a melhor troca de camisas do ocidente. Mas logo na primeira balada que pegamos juntos foi que percebi que o amor que sentia por ela era puro tesão. Não mais que isso. Foi quando ela beijou a Marcinha enquanto fui buscar umas bebidas. Voltei e vi as duas atracadas no canto da boate. Maria Elvira com a mão por baixo da mini-saia da Marcinha, mordendo o pescoço dela, foi a melhor lembrança dos tempos de faculdade. Ou melhor: de todos os tempos. Logo elas começaram a namorar e, quando Marcinha – que Maria Elvira dizia ser ninfomaníaca - sentia falta de homem, eu era chamado para jantar no apê delas. E que janta! Meus amigos! Que janta!
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