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Amor Banido

Terça, 3 de Outubro de 2006

* Texto publicado originalmente na seção Pacientes terminais

A Ana era uma mulher perigosa, diziam os amigos, ela poderia quebrar meu coração em pedaçinhos como havia feito com tantos por aí. Mas eu não ligava, porque prestava atenção em Luiza, que estava deprimida no casamento e procurava aventuras. Nada tão excitante quanto a Marina que assanhava para cima de mim como uma leoa, voraz. Mas fui eu que optei pela Samanta, femme fatale sem dono, sem rumo, que se apaixonou por mim e a quem eu deixei assim que conheci Carmem, sua melhor amiga, que me roubou-lha na surdina e quis devorar minhas tripas com ketchup e cigarros durante o sexo. Quando ela ia me trocar por uma frenética emo eu já estava em outra, uma estelionatária que vivia de casar com tigrões endinheirados com carros importados e um tufo de dólares para subornar a idade, coisa que qualquer loba fareja, atrapa e escalpela como uma lagartixa que devora a mosca que deu sopa. Virei seu amante até eu mesmo aplicar-lhe um simpático golpe, ficar com seu dote e mandá-la pra cadeia com a ajuda de uma advogada gostosa sadomasoquista com cabelo raspado e pierces em lugares obscenos. Ela também quis me trocar por uma frenética emo e eu resolvi desta vez agarrar a emo primeiro, deixando a advogada com o chicote na mão. A emo arrastou a asa para um ex-Dominó logo quando eu já duvidava entre a Sandrinha – que só saía durante a semana porque tinha mal-humor de fila e farra de fim de semana – e a Danielle, workaholic que só saía no fim de semana porque durante a semana estava sempre viajando a trabalho. Quando a Danielle fugiu com um piloto da Varig para o Taiti, e após a Sandrinha ter voltado para Barbacena, conheci uma prostituta chamada Élleim – sim, era assim que tava no RG dela – que era mais bonita, popozuda e inteligente que todas as outras e me apaixonei perdidamente até que revi uma antiga colega que tinha caprichado no silicone e me fez investir na amizade colorida. Foi um amor meio sintético e acabou num acústico de uma Carlota que cantarolava Cartola num boteco.

Olhei para o relógio e constatei que já haviam passado vinte anos desde Ana. Pedi Carlota em casamento e ela me negou. Surge a alvorada, folhas a voar...


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