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Afinidades Não-EletivasQuinta, 21 de Outubro de 2004* Texto publicado originalmente na seção Pacientes terminais Nunca foi pela minha humildade franciscana que me tornei reconhecido e amado mundialmente. Eu sou um desses caras carentes, desesperados por aceitação, que escreve bobagens na Internet só pra ter o ego alisado. Tudo que eu quero é que você me ame, porque eu sou um cara muito, mas muito gente fina. Eu e Jesus Cristo, saca? Mas se tem uma egotrip que eu não entendo é a dessa gente que quer ser eleita pra alguma coisa.Que diabos leva alguém a querer governar os outros? Por que alguém quer ser eleito? Tudo bem que você pode dizer que é pelas propinas milionárias, pelas chances de “ajudar os amigos” e tudo mais. Oquei, mas deve ter mais alguma coisa, porque se você decide se tornar um corrupto hediondo, não é muuito mais lógico fazer sua falcatruas, de jeito mais discreto e seguro, sem ocupar um visado cargo público político de alto escalão? (Não deve ser tão difícil assim, afinal, tanta gente consegue.) Enfim, se for só pela grana e pelo poder, tenho certeza que o Sr. Spock nunca se candidataria a nada. Hipoteticamente, podemos deixar o “mar de lama” pra lá e acreditar que todo o candidato é honesto, bem intencionado e escova os dentes três vezes por dia. Mesmo assim a pergunta persiste: Por que esses senhores de conduta ilibada e impostos em dia se candidatam? Eles têm que ter um infalível-plano-salvador-do-universo na manga pra assumir essa assustadora responsabilidade de governar a vida dos outros, certo? Bom, pelo menos, é isso que a maioria deles diz no horário eleitoral. Eles trazem a salvação absoluta, o jogo de resultados, o paraíso na terra, são nossos super-heróis preferidos. Agora me diz, que tipo de demente mental poderia acreditar em tamanho surto messiânico, sem ter nem mesmo visão de raio X ou algum outro superpoder bacana? Só um ególatra perigosíssimo!! Eu não estou falando especificamente de bushes ou kerries, martas, serras ou qualquer outro césar. Estou falando de todos eles. Esse é o grande “ardil 22” da democracia: só mesmo um egocêntrico transloucado incapaz de governar qualquer coisa além de seu próprio umbigo poderia ter coragem de se candidatar a alguma coisa. Vamos pegar a eleição americana, por exemplo. Eu, como todo o brasileiro normal, sou careca, não desisto nunca e odeio o Bush. Mas vocês já prestaram atenção no Kerry? A “coisa” está nele também. Aliás, ELA está em todos, nos eleitos, nos não eleitos e até nos impostos ditatorialmente. Trabalhadores do Brasil. Minha gente, Brasileiros e brasileiras. 60 milhões em ação. Ame-o ou deixe-o (nunca desista-o). Assim não pode, assim não dá. Meu nome é Enéas, Sieg heil, baby! (Ufa! O enfermeiro acabou de entrar aqui pra lembrar que está na hora do meu “remedinho”.) Olha, meu bem, talvez essa “loucura messiânica” nem seja culpa da democracia, o problema é o meu medo de pessoas que têm o ego maior que o meu. Principalmente quando me obrigam a escolher uma delas.
mais uma mentira do
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