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AbrigoQuinta, 6 de Outubro de 2005* Texto publicado originalmente na seção Pacientes terminais Não ligo muito para o futuro da humanidade, sabe? Mesmo porque eu já perdi a fé nela, a humanidade. Uma raça que inventa o Videokê não merece muito mesmo. Quando fizeram o DVDokê, então, percebi que o castigo dos Céus estaria bem próximo.É bastante nítido que o Apocalipse está chegando. Os sinais estão todos aí: os furacões, os terremetos, as doenças, a volta dos anos 80. Por mim, tudo bem. Sou um sujeito prevenido. Construí um abrigo anti-nuclear. Foi complicado achar um terreno onde eu pudesse construí-lo. Por isso, tive que fazer no meio do meu quarto mesmo. O abrigo é todo feito de caixas de ovos e tem uma janela desenhada na parede, além uma linda chaminé para o caso de eu precisar fazer um churrasco. Já comecei a estocar alimentos, divididos em três seções: biscoito de polvilho doce, biscoito de polvilho salgado e biscoito de polvilho sem sabor. Assim, tenho a certeza de poder contar com os três principais grupos de alimento. Para beber, pacotes e mais pacotes de guaraná em pó, que têm a vantagem de ocupar bem menos espaço que garrafas d’água. Tenho mais tudo o que preciso no meu abrigo anti-nuclear. Lanterna, balões de encher, luvas de boxe, um chapéu-coco e uma máscara de King Kong. Não vejo ainda como usarei a lanterna, mas acho que não custa deixar ali. Agora, com tudo pronto, não estou mais nem aí para o futuro da humanidade. Quero mais é que todos se explodam. Depois que não houver neste mundo ninguém além de mim, tudo ficará muito mais fácil. A fila do banco, por exemplo, vai ser bem menor.
De acordo com
Daniell Rezende | 5 pessoas já deram o comentaise.
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