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A verdade sobre a Cisplatina

Terça, 14 de Março de 2006

* Texto publicado originalmente na seção Pacientes terminais

Dom Pedro I não chegava a ser um entusiasta do futebol. Até porque não existia futebol em seu tempo. Mas, para todos os efeitos, era vascaíno, como toda a côrte sabia.

Dizem que do Dom Pedro foi inclusive quem lançou uma frase que seria largamente usada no futuro por muitas mulheres:

- Que graça tem 22 marmanjos correndo atrás de uma bola?, questionava-se, perdido em pensamentos que não faziam sentido nenhum naquela época.

O mesmo descaso o monarca dedicava à Província Cisplatina. Chegavam notícias de que a Argentina tentava retomar a região, anexada pelo Brasil em 1821, mas Dom Pedro nem dava bola.

Os argentinos, porém, foram premonitórios. Insistiram e insistiram até que deflagraram a Guerra da Cisplatina. Aparentemente, o domínio territorial poderia parecer a causa do conflito, mas está na cara que aquilo era uma guerra de cunho futebolístico.

Apoiados nos argentinos, os uruguaios conquistaram a independência do Brasil e levaram consigo dois títulos mundiais de futebol, que por direito deveriam pertencer aos brasileiros.

Graças a Dom Pedro, hoje o Brasil é penta, e não heptacampeão.

Não que Dom Pedro fosse ligar muito. É sabido que o imperador era apreciador de verdade de um outro esporte de muito mais contato físico. Tanto é assim que ele também cunhou outra frase célere ao tentar se desculpar após ser flagrado com mais uma bruaca.

- Em tempo de guerra, todo o buraco é trincheira.

Sem nenhuma alusão à Cisplatina, é claro.

Mentex e Costela | 4 comentários