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Raul é um isqueiro azul*.Sábado, 18 de Setembro de 2004* Texto publicado originalmente na seção Na sala de espera Seu nome, aliás, foi dado justamente para rimar com a cor e homenagear o ídolo maior de seu pai, um Zipo chamado Raul, que combateu na Segunda Guerra Mundial, e que morreu num ato heroico ao incendiar um celeiro suiço por engano. Seu pai, o isqueiro Dudão, sempre foi fã de histórias de guerra. Sua mãe, uma fósfara esquelética, era fã do Raul Gil e gostou do nome. Por pouco, Raul não se chamou Tigresinho Merengueno. Mas isso sem motivo aparente. Sorte dele.Raul já teve três donos distintos. O primeiro foi um bêbado profissional, que não passou mais do que 3 minutos com ele. O comprou, foi acender um cigarro, desmaiou de bêbado antes e o perdeu quando o dono do bar o empurrou para fora. Depois disso, Raul passou pelas mãos de uma garconete vesga carente e, agora, ele pertence ao apontador de jogo do bicho Orlandinho. Um dos maiores da Zona Sul da Cidade. Entre uma "pule" e outra, Raul concedeu à seguinte entrevista ao site Morfina.com.br. Morfina: Raul, o que mais te incomoda em ser isqueiro? Raul: Sinceramente, quase tudo me incomoda. Aliás, que bom que você perguntou, sempre quis falar. Mão suada é uma coisa que me irrita muito. Nego (sic) vem com aquela pata sebosa, toda engordurada, me aperta pra cacete e, no final, nem consegue acender o cigarro. Burrice também me incomoda. Cidadão vira e mexe tenta me acender quando tá ventando e não consegue. Sem contar as bestas que, antes de me usar, me chacoalham, como se eu fosse um Gatorade, que tem que agitar antes de beber. Ah, sim, Gatorade de Uva e Hollywood vermelho me irritam também. E o preconceito. Ah, o preconceito. Morfina: Há muito preconceito no meio? Raul: Sim, infelizmente há. As pessoas costumam falar coisas como "lá vai o isqueiro palhaço" ou "olha só, meu filho, se você não estudar pode acabar virando isqueiro, que nem aquele ali" ou ainda "acho que eu vou lá agredir aquele isqueiro ali" e o outro diz "é, vai lá, vamos acabar com a raça dele de uma vez por todas". É duro. Morfina: Você falou em Hollywood vermelho. Você fuma? Raul: Não, claro que não. Dou uns pegas de vez em quando, mas nada demais. Me preocupo com a saúde, sabe? Não quero morrer cedo e fumar faz mal. Além do que, não quero ficar nessa vida pra sempre. Um dia quero ser isqueiro de circo. Quero acender a tocha do homem que cospe fogo e incendiar aqueles aros que os animais pulam dentro nas apresentações. E para fazer tudo isso tenho que ter fôlego. Se eu começar a fumar, sei que minha carreira pode ir por água abaixo. Morfina: Falando em carreira, percebo que você tem queda pela vida artística. Você já teve alguma experiência na área? Raul: Há uns dois anos estrelei uma peça de teatro. Se chamava "Os 4 Smurfs Gays que Fugiram da Palestina". Foi um SU-CE-SS-SS-SO. Eu fazia o ísqueiro mais gay da turma, claro. Mas eu era o líder do grupo. Foi um sucesso de público e de crítica. Pena que tive de abandoná-la devido a problemas políticos. O tema era delicado muito delicado e, por que não dizer, avançado para a época. Atualmente, estou escrevendo um monólogo que, tenho certeza, irá arrebentar. É um tema, claro, nunca antes abordado e, acredito, dará o que falar. Não posso adiantar muito mais, mas o nome provável da peça será "Gravidez na Adolescência dos Isqueiros: Ignorancia ou Putaria Desmedida?" Morfina: E para encerrar, deixe um recado para os seus fãs. Raul: Crianças, não esquentem a cabeça à toa. Não brinquem com fogo e, por favor, fumem muito. De preferência, Lucky Strike White. Abraço a todos. *colaboração de Daniell Rezende
psicografado por
Sérgio Vinícius | 3 comentários
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