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Manezão, da Barra Funda para o Mundo
Manezão, da Barra Funda para o Mundo
Terça, 7 de Março de 2006
* Texto publicado originalmente na seção Na sala de espera
Sempre priorizando o tom investigativo de suas reportagens, a equipe jornalística do Morfina não achou suficiente entrevistar um chuveiro, um chuveirinho, um sabonete ou qualquer outra outro objeto que passe sua vida toda nas dependências de um banheiro. Queríamos algo mais e, sem muito esforço, conseguimos uma entrevistada assustadora: a sola do pé do editor Sérgio Vinícius. Enriquecida por uma generosa camada de piche e inúmeras rachaduras, a sola conta que passou o Carnaval inteiro sambando sobre pedras, saltitando descalça pelas ruas do Rio de Janeiro e dormindo em calçadas fétidas. Sérgio pouca atenção deu aos pés, já que estava irremediavelmente encantado por uma linda máscara prateada de gatinho comprada nas ruas de Laranjeiras (quiçá, a máscara mais bacana de todos os tempos).
A sola de Sérgio, apesar de substantivo feminino, é mais macho do que muito pai de família. Não se tem notícia de nenhum membro inferior que tenha resistido durante tanto tempo sem sinais de gangrena ou risco iminente de amputação. A sola de Sérgio, conhecida também como Manezão Brucutú da Barra Funda, não veio ao mundo a passeio. Ela aceitou conceder esta entrevista ao Morfina para contar-nos um pouco sobre o seu sofrimento para sustentar de pé o gordo mais teimoso que este mundo já viu.
Morfina: Bom dia, Manezão. Saiba que é uma honra tê-lo aqui, estampando nossas páginas de alegria. Manezão: Pois é. Eu nem sei o que estou fazendo aqui, já que este site é daquele mal-ajambrado que eu carrego diariamente e não tem a menor consideração comigo. Não sei como continuo ajudando esse sujeito a andar por aí e fazer suas presepadas.
Morfina: Mas Sérgio Vinícius não é uma boa pessoa, como todos pensam? Manezão: Só se for pra você! Se precisasse defini-lo em poucas palavras, diria que é um gordo que tem uma idéia de jerico atrás da outra. Nunca vi coisa igual. Ele cisma em andar sobre braseiros, e lá vou eu. Cisma em pular o Carnaval em cima do piche quente, e lá vou eu. Cisma até em entrar no mar pelado durante a madrugada, em plena praia de Copacabana, e neste caso eu só posso lamentar pelos mendigos que estavam presentes na praia naquele horário. Não pude fazer nada.
Morfina: Quais são os maiores perrengues que você atravessa ao tentar sustentá-lo de pé? Manezão: São vários. O pior deles, no entanto, é a aversão ao banho. Quando decide tomar banho - e isso acontece uma vez por bimestre -, ainda tenho que aturar o vodú que ele guarda no banheiro. Aquele vodú me olhando de esguelha é uma afronta. Olha, eu levo uma vida de cão! De cão!
Morfina: E, se Sérgio Vinícius não fosse esta mula velha que todos nós conhecemos, o que você mudaria nele? Manezão: Em primeiro lugar, o consumo exagerado de cachaça. Eu tenho pra mim que este gordo é o que é por culpa da marvada. Em segundo lugar, eu proibiria a ingestão indiscriminada de torresmo. Apesar de muito gostoso, eu sei que é isso que dificulta que o sangue circule do coração até mim. Fico aqui, bebendo gotinhas, passando sede. Agora, se eu pudesse mudar uma coisa só, não tenho dúvidas: eu nunca mais pisaria no estúdio de um senhor chamado Efraim.
Morfina: E quem vem a ser o senhor Efraim? Manezão: É um maluco descoordenado que se diz tatuador. O gordo burro acha que ele é um artista, mas eu sei das coisas. Efraim é o sujeito que tatuou o Macaco Chicão na perna do Sérgio e depois tentou tatuar a macaca chita bem na meiúca da minha sola. Cretino. Pensa que não dói, é? Eu tenho sentimentos! Já não chega viver com estas rachaduras doloridas? E agora virou moda: toda semana o gordo passa no Efraim. É um macaco na perna, uma estrelinha no pulso, um piercing no umbigo, um autógrafo na nuca... Tá virando uma bela duma putaria, isso sim! Deixa o seu Araújo saber o que está acontecendo. Na primeira oportunidade, eu cagüeto.
Morfina: Para terminar, Manezão, você quer deixar alguma mensagem, agradecimento ou algum pedido? Manezão: Quero sim. Tem uma menina muito rústica neste site, uma tal de Vanessa, que andou descendo o cacete no gordo e obrigando-o a me lavar. Queria agradecê-la pela força e dizer que estamos juntos nesta batalha por um Bucha mais limpinho. E continuem rezando por mim, para que pelo menos ele use meias durante a temporada alemã que se aproxima.
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