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Furo! Morfina Entrevista Veraneio 68, Quaaase 69.

Segunda, 10 de Janeiro de 2005

* Texto publicado originalmente na seção Na sala de espera

Depois de meses de incansável busca pelo veículo ideal, encontramos, na periferia de Mauá, um verdadeiro especialista em férias familiares: uma Veraneio 1968, utilitário veterano que já subiu e desceu a serra mais do que música velha do Roberto Carlos. Acompanhe agora alguns trechos deste bate-rodas, digo, bate-bola:

Morfina: Qual é a melhor e a pior coisa em ser um veículo de veraneio?
Veraneio: Esta é ruim demais. Vamos tentar de novo?

Morfina: Nós adoramos piadas infames. Desculpe-me, foi irresistível. Mas vamos direto ao ponto: qual é a pior e a melhor coisa em ser um veículo de veraneio?
Veraneio: Agora sim. Então, como dizíamos, eu poderia escrever um livro só com os pontos positivos e negativos de ser quem eu sou. Todavia, como sou um veículo de poucas palavras e o poder de síntese é o meu forte, digo-lhe: o ponto positivo é o convívio familiar, pois sou como um membro do clã, e o ponto negativo é a quantidade de bandalheira que colocam no meu bagageiro. Haja amortecedor para agüentar tudo aquilo, viu? Nem te conto.

Morfina: E qual foi a coisa mais estranha que você já carregou, nessas idas e vindas pelas curvas da estrada clareada pelo brilho celeste do sol?
Veraneio: Você é entrevistador ou poeta, afinal de contas?

Morfina: São seus olhos...
Veraneio: Ãhn??

Morfina: Digo, são seus faróis...
Veraneio: Ah, bom!

Morfina: Mas e então, qual foi o bagulho mais estranho que já colocaram dentro de você?
Veraneio: Tua mãe.

Morfina: Olha aqui, Sr. Veraneio, vim mui respeitosamente à sua residência para entrevistá-lo e conceder-lhe um espaço precioso na mídia. Acho que os leitores merecem o mínimo de respeito de sua parte, não?
Veraneio: Pois é. Então, como eu dizia, a coisa mais estranha que já carreguei foi uma panela cheia de charutinhos de repolho. Fedia mais do que um cadáver que fui obrigado a levar até Mauá no fim da década de 70.

Morfina: Morto político?
Veraneio: Os charutinhos? Não... Era só pra festejar a páscoa, mesmo.

Morfina: O cadáver...
Veraneio: Ah, sim! Era morto político, claro. Presidente Nacional da União dos Estudantes de Mauá e Adjacências, se não me engano. Meu dono na época, o Teixeirinha, era a favor da ditadura. Um sujeito dos mais intolerantes. Percebi que as coisas não cheiravam bem quando ele comprou o livro “Como Ocultar um Cadáver”.

Morfina: Logo depois surgiu o corpo do rapaz, suponho?
Veraneio: Que nada. Na semana seguinte, ele apareceu com a panela de charutinhos.

Neste momento, a entrevista foi abruptamente interrompida por intolerância de ambas as partes. Fiquem agora com nossos patrocinadores.



por Vanessa Marques | 2 alguéns