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Adoro ser ZAP!Segunda, 13 de Fevereiro de 2006* Texto publicado originalmente na seção Na sala de espera Joel é uma Às de um baralho da casa de uns amigos bebuns. A carta sonha em ser um grande artista do rock. Em determinados momentos, ela não fala nada com nada, provavelmente sob efeito das gotas de pinga que constantemente caem sobre ela. Acompanhe a entrevista que esse peculiar objeto cedeu ao Morfina:Morfina – Qual é o jogo de baralho que você mais gosta? Joel – Olha, eu gosto muito de truco e pôquer, porque neles eu valho mais. Adoro ser ZAP, sabe? O ponto alto do jogo é quando me colam na testa de um pato. Morfina – E pif-paf, mexe-mexe, paciência? Joel – Essas coisas são pra criança ou velhinho, não vejo emoção nisso. Para mim tem que ter que ter blefe, aposta, gritaria. Tenho um lado meio selvagem sabe? Morfina – E esse seu lado atrapalha a sua vida? Joel – Olha, se eu fosse uma pessoa, iria viver pelos bares bebendo conhaque e pegando mulher. Provavelmente eu seria viciado em drogas. Levaria minha guitarra para antros imundos e hipnotizaria a todos com minhas melodias tocantes, porém cheias de rebeldia. Tudo isso sempre com um cigarro no canto da boca. Morfina – Com todos esses sonhos, deve ser difícil viver como uma simples carta de baralho. Joel – Eu consigo viver com isso porque sou budista. Sei que a minha vez vai chegar. Pode ser que eu reencarne ainda como um barata, um OB usado, uma seringa de drogado e um livro velho do Bukowski. Mas em algum ponto da eternidade estarei no corpo de um rockstar. Serei grande, garoto, serei grande. Morfina – Mas como você pode reencarnar como um livro velho? Pela lógica, a alma teria que entrar no objeto no momento da sua fabricação. Joel – Pela lógica, pela lógica... O problema das pessoas é esse pensamento linear, quadrado. Eu vejo além. Para mim não existe signo, significado ou significante. Eu ouço as cores, beijo os sons, sinto o cheiro da maciez. Morfina – Não estou entendendo nada. Vamos voltar a conversar sobre jogos de carta. Joel – Olha, meu rapaz, esse assunto realmente não me interessa. Você é muito certinho, né? Tem que se ater ao roteirinho da sua entrevista. Quer saber? A partir de agora não falo mais com a imprensa. Bando de mentecaptos vendidos. Dá licença que eu vou quebrar meu camarim agora.
inventado por:
Robinson Melgar | Eba! 3 já me deram atenção
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