![]() |
|
![]() |
Pobres e Inocentes CriaturasSegunda, 8 de Maio de 2006* Texto publicado originalmente na seção Receita médica Como diria Renato Russo, quem me dera ao menos uma vez... conseguir escrever um texto para o Morfina na data certa, sem atrasos, sem passar pelas terríveis cobranças da chefia. Mas está cada dia mais difícil. Para quem pensa que a vida é fácil na redação deste site metido a underground, aviso que este é um grande engano - o maior de todos, arrisco-me a dizer. Aqui as coisas funcionam apenas na base do terror psicológico e chibatadas morais. Tudo culpa do nosso pajé, o temido Buxabiqui Tupacã Vinicius. Mas é o preço que pagamos por fazer parte de uma tribo tão selecionada quanto a equipe literária do Morfina. Já vi alguns índios de perto. Toda a sorte deles, aliás. Já vi os índios de Coroa Vermelha, na Bahia, que ainda se encantam com colarzinhos de miçanga e espelhinhos. Vi também os índios Aimaras da Bolívia, que montaram num porco por terem pensado que um lago era mar e por terem nascido em um lugar que não tinha um mar propriamente dito. Por último, conheci os tataranetos dos incas que ergueram Machu Picchu, que eram, em suma, muito parecidos com os índios bolivianos. A diferença básica entre eles é que os incas sabiam pegar onda, e os aimaras sabiam andar de pedalinho, no máximo. De todos os índios que conheci, posso dizer que existe um ponto em comum que salta aos olhos assim que você se depara com eles: a cara de índio. Não é possível um índio se fingir de mulçumano, por exemplo. Ou pintar a cara com carvão e querer passar por negro. Ou ainda vestir uma saia havaiana e sair por aí dançando a Macarena. Índios possuem traços tão peculiares que não são aceitos em programas de calouros de imitação. Eles são inegavelmente índios. Sugiro que você, caro leitor, faça a dança da chuva e aguarde pelos bons textos que a equipe do Morfina lhe reserva. Tenho certeza que nossos fantásticos colaboradores já viveram muitas aventuras por essas aldeias e ocas da vida.
por
Vanessa Marques | alguém?
|