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Analogia Editorial

Segunda, 1 de Agosto de 2005

* Texto publicado originalmente na seção Receita médica

Depois de quarenta e quatro semanas de Morfina, acho que tenho o direito de escrever um editorial recheado de analogias toscas. Não que alguém tenha me dado este direito, mas sinto que o momento chegou.

Quando o assunto é casamento, imediatamente penso em amor (ainda que em suas formas mais rudimentares). E não existe nenhum assunto mais propício à criação de analogias do que a união entre duas pessoas. Vejamos: eu enxergo o amor como uma roupa. Uma roupa, aliás, que não é fabricada para o meu manequim. Nas poucas vezes em que tentei experimentá-la, ficou grande demais, apertada demais, curta demais. Nenhuma numeração se encaixa no meu corpo, e nenhum costureiro aceitou o desafio de fazer um amor sob medida para mim. Mas isto não vem ao caso. O fato é que, enxergando o amor como uma roupa, vejo o casamento como um cabide. Um cabide de madeira meio desajeitado e antigo, que por vezes deforma o caimento da roupa. E se a roupa não for tirada do armário de vez em quando, acaba mofando ou sendo consumida pelas traças. É assim que funciona tanto na vida real como no maravilhoso mundo das analogias.

Mas eu não quero começar aqui uma pregação desenfreada contra o casamento. Ele deve ser bom, até. Não sempre, mas em alguns casos. E se a convivência realmente for a perdição de um relacionamento, que pelo menos a festa de matrimônio seja boa. Alguma vantagem tem que ser tirada deste tipo de união, concordam? Mas, se nem mesmo a comemoração valer a pena e for regada por um bufê miserável de salgadinhos frios e cerveja quente, então só nos resta festejar a instituição do casamento aqui no Morfina, com os textos sempre sensacionais dos nossos colunistas. 

por Vanessa Marques | alguém?