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A Síntese da Raça
A Síntese da Raça
Segunda, 26 de Setembro de 2005
* Texto publicado originalmente na seção Receita médica
O mundo dos mortos-vivos, também conhecidos como zumbis, representava até pouco tempo a síntese da raça humana. Senão, vejamos: o homem é um bicho muito complicado e se apresenta em diversas formas distintas. Primeiro, existem os homens e as mulheres. Ambos pensam de maneira muito diferente. Dentro destes dois grandes grupos, temos mais doze subgrupos determinados pelo zodíaco. Sendo assim, temos mulheres de aquário e de peixes, que são completamente diferentes umas das outras. Temos os homens de escorpião e de virgem que, mesmo pensando em futebol e mulher o tempo todo, também guardam certas diferenças de personalidade. Por baixo, sem contar pequenas variações de humor, existem vinte e quatro tipos diferentes de pessoas habitando a Terra. E olha que este é um raciocínio bem simplista, porque no fundo as coisas são um pouco mais complicadas.
No universo dos mortos-vivos, no entanto, tudo é mais simples. Eles são todos iguais e possuem um objetivo comum: comer miolos. Nada desvia a atenção deles, não há mudança de foco. Eles estão aqui simplesmente para traçar os cérebros alheios, já que eles não têm um. Ou, melhor dizendo, era assim que funcionava.
Aí, do nada, vem o George Romero e derruba a minha lógica. Agora os zumbis têm consciência. A psicologia moderna tratou de complicar a maneira de viver até dessa gente que já foi para o quiabo. Não existe mais paz neste mundo, definitivamente.
Enfim, eu só entrei neste assunto para preparar você, leitor, para os textos desta semana. Não espere apenas zumbis tradicionais povoando as histórias de nossos colunistas. Assim como na psicologia moderna, no Morfina tudo é possível. Até um morto-vivo metido a psicanalista.
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