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O dirio esquecido Morphine Hemorptus, a brumosa.

Quinta, 26 de Junho de 2008

“Não sei por que diabos me colocam para escrever em caderno de ficção. Nunca li e tampouco escrevi ficção na minha vida. Não sei qual é a serventia de algo que não é real. O que não é real não existe, logo, não serve para nada. Só para forrar gaiola, o que não é o caso, já que este site não é impresso.
Também não sei qual o gosto desta gente por coisas que não são impressas. Não gosto de nada que não possa tocar. O monitor me assusta. Tenho certeza que se ficar na frente desta porcaria meu câncer vai voltar e vou ter de operar o outro seio. Não o uso mais, mas o quero. É meu.
Só consigo publicar meus rabiscos por gentileza do Arnaldo, meu piscineiro parrudo e bem-dotado. Gentileza, nem tanto, vem aqui duas vezes à semana, me cobra duzentas pratas por seu serviço - e isso que eu nem tenho piscina!
Eu escrevo em folhas de papel almaço e ele digita tudo. Depois imprime num tamanho adequado para minha visão. Então leio para ele minhas histórias e declamo minhas poesias vestida apenas com o meu vison. Um luxo, precisas ver.
Agora lhe deixo, velho diário, já escuto a impressora, está na hora”.



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