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As Coisas que Não FuiSegunda, 22 de Setembro de 2008Chega de toalete. Quem acompanha o Da Cidade, deve já estar saturado de escatologia poética. Recém cumpridos 33 aninhos, resolvi que a idade simbólica demandava novos temas. Percebi, ao fazer uma projeção pessoal de vida, que comecei uma transição entre projetar aquilo que quero ser para uma nova fase de engolir aquilo que já não fui. Quem tiver esta fome, me acompanhe segunda sim segunda não, as coisas que não fui. Primeiramente já não fui mecânico. Sempre gostei de me sujar de graxa, consertar coisas, desmontar e depois não conseguir montar telefone, brinquedo, computador. Um típico cenário infernal para meus pais nos anos oitenta era chegar em casa exausto do trabalho, toca um daqueles telefones antigos que ainda faziam TRIMmm, que hoje só figura em história em quadrinhos. Pai/mãe saem do banho, cabelo ainda molhado, enrolado na toalha com frio, e o bocal ta invertido com o receptor, ou seja, fala-se onde se deveria ouvir e vice-versa. No curso dos anos tive outros lapsos que poderiam indicar um talento pra coisa: fiz carrinho de rolimã; consertei aspirador, abajur, bicicleta, barco; tive carrinho de controle remoto e fui vice-campeão paulista (claro que havia uns oito competindo, mas vá lá, eu tinha 13 anos). Cheguei a receber de amigos de acampamento a simpática alcunha de Magáiver. Assim foi até que no ápice desta prodigiosa carreira tive um jipe adolescente (tinha 16 aninhos) e até consertava-o sozinho de vez em quando com tremendas ferramentas. Mas nasci burguês, tive educação superior e mecânico não era uma opção plausível no entorno em que cresci. Pra tapar o buraco deixado pela vocação, uma vez por semana penduro um pôster de mulher pelada na parede, visto um velho macacão, engraxo as mãos por uma meia hora, fico olhando pra elas contente e, diante do espelho, sujo cuidadosamente a testa, que nem todo mecânico quando limpa o suor. Depois esfrego vigorosamente com pasta de lavar mão, penteio o (que me sobra de) cabelo com pente, e volto contente para meus 33 anos.
O Aloísio que não é do campo é o
Aloísio da Cidade | 2 leitores já mijaram neste póst
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