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Tempos de FaculdadeSegunda, 9 de Janeiro de 2006* Texto publicado originalmente na seção Injeção intravenosa - Julião! - ... - Julião! Quanto tempo! Desde os tempos da faculdade! - Mas eu... - Mas nada! E aí, como é que vai essa força? Ainda namora a Betika? Puxa, como é bom te reencontrar! E aí, o que tem feito? Depois da formatura, conseguiu entrar naquela vaga pública? - Então... - Pois é! Eu também, eu também. Fico feliz em te ver. Claro que você mudou um pouco. Está um pouco mais alto, mais magro, e com essa barba esquisita, que mal disfarça essa sua cicatriz. A qual, claro, você deve ter ganhado depois da faculdade em algum acidente doloroso. Pelo menos é o que concluo, a julgar pelo tamanhão do rasgo. Enfim, mas e aí? Conte mais sobre você, conte mais! - Como eu... - Ah rá, que bom, que bom. Fico feliz em saber. Mas agora, veja você, tenho que ir. Estou saindo com a Carlinha, lembra dela? Era aquela gordinha que sentava na primeira fileira e sempre mandava a gente fechar a boca. Então, você lembra como ela era mandona, né? Pois é, então, continua a mesma. - Gorda? - Gordinha, gordinha. Mas eu dizia que continua a mesma no sentido de ser mandona. Se eu atraso, já viu, né? Ainda mais agora, que ela começou a tomar hormônio. Fica irritada à toa. Às vezes, se eu falo uma palavra fora de hora, ela já faz escândalo. Ou ainda, se começam a crescer ainda mais pelos na orelha ou no rosto dela, é uma desgraça. Sobra sempre para mim. Então é por isso que eu tenho que ir embora. Até mais, Julião. Até mais. - ... E se foi. Julião, ainda um pouco confuso, somente pensava em quem seria aquele ser que sabia tanto sobre ele. E mais: que namorava a Carlinha, que, esta sim, ele lembrava muito bem. Uma mulher de 200 quilos, com pêlos na cara, um mau humor do cão e que usava um tapa-olho por esporte. Por muito pouco mesmo, Julião não correu atrás do desconhecido para tirar algumas dúvidas. E, em último caso, até mesmo fazer com que desistisse da Carlinha. Mas pensou bem, bem mesmo, e resolveu deixar quieto. Alguns metros dali, o desconhecido parava outra pessoa no meio da rua e começava a fazer perguntas íntimas, assim como fizera com Julião. Não conseguia domar seu dom mental de adivinhar o passado das pessoas. E, além disso, queria adiar o máximo possível seu encontro com a Carlinha. Ainda mais naquele dia que, ao que parecia, ela estava com TPM.
psicografado por
Sérgio Vinícius | Comente
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