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Reflexões

Quarta, 16 de Novembro de 2005

* Texto publicado originalmente na seção Injeção intravenosa

– Eu não acreditava em vida após a morte. Durante toda a minha vida procurei por provas, mas não encontrei nenhuma. Tentei falar com videntes, fui a centros espíritas e até na macumba. Só encontrei farsantes. Li tudo o que podia a respeito do assunto. Procurei respostas na filosofia, na ciência e na religião. Todos os pontos de vista eram contraditórios. Por fim cheguei a conclusão de que não havia nada no além vida, que a consciência simplesmente se esvai quando o corpo pára de funcionar, como numa máquina em que a memória é mantida por baterias. Mas, só para ter certeza, continuei minha busca. Tentei entender por que algumas pessoas têm medo da morte e outras parecem querê-la. Visitei doentes terminais, enterros e até necrotérios. Analisei centenas de mensagens supostamente enviadas pelos desencarnados e tentei atestar a sua veracidade. Nada. Realmente a morte era o fim de tudo.

– Caralho, então como você explica o fato de que você é um fantasma?

– Sei lá mano, desisti do debate. O certo seria desencanar dessas questões e ficar no bar bebendo, ou então ir atrás de mulher, sei lá. Ah, lembro da Mariele... Mas como agora eu morri, não dá mais para fazer nada disso. Saco! Gastei minha vida inteira para provar que estava errado.

– Não esquenta cara, vamos assombrar um otários.

– Vamo aí.

inventado por: Robinson Melgar | Um quis ser meu amigo