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Primeiros porresSegunda, 24 de Abril de 2006* Texto publicado originalmente na seção Injeção intravenosa A primeira vez que bebi até ficar mais alegre foi quando fui a um bar, perto da minha casa, com meu irmão. Ele bebia bem nessa época, mas hoje vive só de Coca-Cola e suquinho de maracujá. Devo ter tomado só uns três ou quatro copos de cerveja. Todos sabemos, porém, o efeito que essa quantidade causa em pessoas que não estão acostumadas à cachaça. Lembro que eu senti uma ligeira dormência em meus membros, além de uma leve vontade de agir como um panaca.Essa experiência eu achei, no máximo, curiosa. Com o tempo, comecei a entender os verdadeiros efeitos do álcool sobre o ser humano. A bebida me ajudou a entender minha personalidade de diversas maneiras, já que ela é uma espécie de lente de aumento para as nossas características, tanto boas como ruins. Com o goró, comecei a sacar como sou meio atrapalhado quando se trata de mulher. Isso ficou bem claro no dia em que fui ao Extra, comprei uma garrafa de Teacher’s, parei na porta da faculdade em que uma ex-namorada estudava e dei uns goles. Não sei se fiquei bêbado ou se me deu ataque de bobeira mesmo, o fato é que me dependurei em uma das grades do prédio, a uns quatro andares de altura, e fiquei falando que me mataria se a moça não voltasse comigo. Sorte que ninguém viu. Ah, ela não voltou. Não parou por aí. Já chutei a porta do meu próprio carro quando uma moçoila disse que não sairia mais comigo. Nesse dia eu havia tomado aquela cachaça São Francisco, uma que tem um belíssimo mendigo (ou é um santo?) no rótulo. Meu dedão do pé ficou tão preto que eu achei que ele cairia. Na verdade eu até saí ganhando, já que na mesma noite a São Francisco levou o amigo que estava compartilhando a garrafa comigo direto para o hospital. O tempo passou, mas a coisa não melhorou muito. Teve festa em que eu falei que gostava de uma, depois vi a outra beijando outro, fui lá separar, depois tentei fazer as pazes com a uma, mas, por estar bêbado, chamei a uma pelo nome da outra várias vezes. Não entendeu? Deixa para lá, o fato é que fiz pataquadas das mais diversas quando estava acostumando meu organismo à birita. Hoje em dia, acredito estar vacinado. Quando encho a cara, fico na moral. Assim, mais ou menos. Se estou muito alegrão, prefiro contar umas piadinhas infames ou abraçar todo mundo e apelar para o bom e velho “te considero prá caramba”. Dar uma de louco dá muito trabalho, além de ser perigoso. De qualquer modo, essa não é uma ciência exata. Qualquer dia vai dar merda de novo. E como ainda não estou no pique de partir para a Cola-Cola e para o suquinho, vou ter que arcar com as conseqüências.
inventado por:
Robinson Melgar | Eba! 4 já me deram atenção
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