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Polícia dos Trocadilhos
Polícia dos Trocadilhos
Segunda, 14 de Agosto de 2006
* Texto publicado originalmente na seção Injeção intravenosa
Odeio trocadalhos. São recursos lingüísticos tão sem-graça, tão ridículos, que deveriam ser chamados de chatodilhos. O pior é que parece que só eu penso assim, já que os programas humorísticos bebem dessa fonte há anos. Dá vontade de mandar eles irem tomar nesses anos todos. Casseta e Planeta e Zorra Total, por exemplo, vivem exclusivamente de trocadilhos semi-nus e de mulheres sem-graça, ou o contrário.
Não consigo entender como alguém pode rir com uma baboseira como “Eu pinto paredes, o Janio Quadros”. Deve ser o mesmo tipo de bocó que dá gargalhadas quando alguém tropeça, mesmo que seja numa peça. Deveria haver uma policia dos trocadilhos, que botasse no xadrez todos esses engraçadinhos. Na cadeia, em vez de trocar palavrinhas de lugar, eles teriam é que fazer troca-troca.
O maior problema da proibição dos trocadilhos é que haveria um enorme contingente de publicitários desempregados. Pense bem, se eles são pudessem mais lançar slogans geniais como “Apracur pra curar”, o que esses peculiares exemplares da raça humana fariam? Acho que eles se organizariam, fariam passeatas com gritos de guerra como “não queremos troca de emprego, queremos trocadilhos” ou “polícia dos trocadilhos é o caralho, não sou publiciotário”. Finalmente eles venceriam, presumo. Trocadilhos têm um poder hipnotizante sobre a maioria das pessoas.
Assim, a menos que eu decida viver isolado em uma montanha, terei que conviver com os trocadilhos até a morte. E mesmo me tornando um eremita, poderia ser que a natureza me pregasse algumas peças. Sei lá, vai que um passarinho bica o meu passarinho. Não tem jeito, a vida é feita de trocadilhos. Agora eu vou trabalhar. Não gosto de trocadilhos, mas preciso de todos os trocadinhos. Pegaram? Pegaram?
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