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Objeto
Objeto
Quinta, 11 de Novembro de 2004
* Texto publicado originalmente na seção Injeção intravenosa
Já teve prazer em convidar as pessoas para conhecer sua coleção. Quanto tempo faz? Não consegue mais lembrar. Assim como não sabe o número de discos de vinil que guarda em seu apartamento.
Aliás, não lembra também quando começou a falar em vinil. Gostava quando apenas mencionava sua coleção de discos. Era o suficiente. Faz tempo. Hoje tem uma coleção de discos de vinil. Ou, o que é pior, uma coleção de discos velhos.
Um dia foram valorizados. Os amigos e amigas o visitavam para passar horas escolhendo o que ouvir na seqüência. Era querido. Ele e sua coleção de discos. Só assim, coleção de discos. Para os amigos e amigas, que agora sumiram.
Às vezes, apenas, recebe alguma visita. Mora sozinho. Nunca casou. Nunca teve ninguém com exclusividade. Também nunca foi de ninguém. Só tem a coleção de discos. E ela o tem. As visitas rarearam.
A coleção já não chama atenção dos outros. Mas ele ainda sente orgulho dela. Na última oportunidade em que tentou vangloriar-se, deu uma festa. Algumas pessoas, mais jovens que ele, foram convidadas.
Olharam a coleção com graça e curiosidade. Mas nenhuma admiração. Ele não gostou daquele olhar. Como se estivessem num museu. Mas piorou. Quanto notou que, os mesmos olhares destinados à coleção, também vinham em sua direção.
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