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O último showSegunda, 27 de Março de 2006* Texto publicado originalmente na seção Injeção intravenosa O ingresso foi caro para cacete. Agora o show de qualquer bandinha não saia por menos de duzentos reais. Aquela puta bagunça, água por cinco reais, adolescentes agitadíssimos e um calor infernal. Mas o show seria ótimo, com toda a certeza.Primeiro foi o de abertura, com algum grupo que ele nunca ouvira falar. Muita gente do lado parecia conhecer. Cantavam junto, vibravam mesmo. Sentiu sede e decidiu beber uma cerveja, mas descobriu que agora não vendem bebidas alcoólicas nos shows em estádios. Havia algo errado... Quando o show começou, todos pularam, gritaram, mas ele não sentiu nada. O som estava muito baixo e as pessoas pareciam ser muito altas. Além disso, ele estava cansado de ficar em pé ali, por mais de três horas. Depois da primeira música, o cantor começou a falar, em português, que aquela era a melhor cidade que ele já tinha visitado, e aquele era o país mais lindo do mundo. Depois começaram a rolar umas mensagens de paz e amor no telão. Todos estavam encantados, rolava uma sinergia. Mas ele estava fora. Na verdade, estava cansado e achando tudo aquilo uma tremenda babaquice. Teve vontade de ir embora, mas seria estranho. Todos os seus amigos estavam ali e ele não queria fazer uma cena desnecessária. Ficou lá, olhando para o telão, cantando um ou outro refrão mais conhecido. Lembrou de quando aquilo era novidade, da época olhava para aquelas pessoas no palco com uma puta inveja, com vontade de estar lá. Agora achava tudo apenas pose, que aqueles caras não seriam nada sem os cenários, as roupinhas e os óculos escuros. Os melhores shows foram aqueles que ele viu enquanto se impressionava. Participou do pedido de bis meio que por hábito, ouviu as músicas finais e ficou grato quando tudo acabou. Agora começaria a gostar de jazz, de ópera ou qualquer coisa que se possa assistir sentado. Estava se sentindo velho. Aquele foi o pior show de sua vida.
inventado por:
Robinson Melgar | Eba! 7 já me deram atenção
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