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O incréduloQuarta, 1 de Novembro de 2006* Texto publicado originalmente na seção Injeção intravenosa Não acredita em nada, só em luta livre. Religiões são mentiras muito bem estruturadas, criadas para enganar e dominar as pessoas. Jornais são recheados de embustes. Amor? Apenas uma invenção burguesa, assim como o casamento e a família. A luta livre não. A luta livre tem golpes incríveis como a tesoura e heróis carismáticos e fantásticos como o Ted Boy Marino. Tem vida, é real.Sabe muito bem que essa coisa de política é falsa. Que esquerda e direita são noções de direção espacial, e essas mesmas ainda muito relativas. Não acredita nem mesmo no tempo; acha que está preso a esta noção por ridículas limitações de seu grotesco cérebro de macaco. Mas, para ele, não há nada mais real que um bom combate no ringue. Nada mais concreto que um lutador que sobe nas cordas para pular sobre seu oponente caído. A luta livre é sua referência, sua rocha. Não acredita que existam países onde ele não esteve. Nem relatos de pessoas próximas podem convencê-lo. Afinal, pode ser que seja tudo armado. Não crê em um propósito para a vida, nem em reencarnação, nem em energias. Duvida até da matemática. Acha que pode haver alguma verdade nisso, mas precisará estudar a fundo para ter certeza. Todavia tem uma crença firme na chave de braço e na voadora. Os lutadores são seus deuses, cada um com seu super poder. Eles poderiam salvar o mundo. Eles devem ser os donos do universo. É tão cético que quase perdeu toda a alegria de viver. Quase, pois em seu mundo de incertezas, insiste em acreditar que a luta livre é algo autêntico, que nela não há armações. Foi a única coisa ingênua que restou. Afinal, todos precisam de algo em que acreditar.
inventado por:
Robinson Melgar | Um quis ser meu amigo
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