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Jaci Sabe TudoDomingo, 30 de Outubro de 2005* Texto publicado originalmente na seção Injeção intravenosa Meu nome é Jaci. Quando lêem meu nome assim, sem ouvir minha voz ou ver meu rosto, nunca sabem se sou homem ou mulher. Como gosto de um bom mistério, não vou acabar com a dúvida. Vou dizer apenas que, para mim, existem apenas duas classificações de assuntos dentre todos estes que existem no universo: aqueles que domino completamente e aqueles que conheço. Não há nada que eu não saiba a ponto de fugir de uma discussão. Pode pensar qualquer coisa aí, faça-me um desafio. Eu sei um pouco de tudo e, às vezes, muito.Entre tantas coisas que conheço profundamente, o celibato é uma pedra que reluz. Mas não é um conhecimento de enciclopédia, não; é conhecimento de causa. E também já aviso logo de cara: não é voluntário. Nunca procurei por isso, tampouco sou favorável a religiões que proíbem o sexo. A questão é outra. O sexo, a cama e a paixão carnal fogem de mim sempre que sentem minha aproximação. Fogem desesperadamente, como cães que ouvem a sirene da carrocinha. Mesmo quando tudo tende a uma noite quente recheada de fluídos e selvageria, alguma coisa escorrega para o quiabo e os planos são adiados. É sempre assim. Como outro dia, por exemplo. Passei minha fragrância de feromônios atrás das orelhas e parti, rumo à luta mundana. Tinha em mente a decisão dos vulgares e sedentos: o entrelaçamento de pernas e braços em um emaranhado de corpos impossível de ser identificado. Cheguei à boate mais vagabunda que encontrei nas redondezas do centro e parti para cima do primeiro ser promíscuo que avistei logo na entrada. De cara recebeu-me com boas vindas, um olhar provocativo e uma lambida no pescoço. “Vamos sair daqui agora?”. “Vamos”. Não era das coisas mais bonitas, não. Longe disso. Mas era a saída para a quebra de mais uma noite solitária. Colocamos os pés para fora do inferninho. A luz vermelha do lugar tinha me cegado parcialmente. Mesmo assim, avistei um táxi bem velho parado próximo à esquina. Era uma Variante, placas amarelas. Estava escrito “táxi” em uma etiqueta adesiva colada sobre o pára-brisas. Como tinha um televisor no banco de trás, acomodei-me ao lado do aparelho e deixei meu par acomodado no banco da frente, ao lado do taxista. Minutos depois, ainda nos arredores do mesmo quarteirão de onde saímos, o motor do carro incendiou. Boom, explosão, pedaços de lata para todos os lados. As portas emperraram. Acabamos a noite no hospital, envoltos em gaze e água boricada. Nunca mais vi aquele chuchuzinho que me acompanhava. Este é apenas um dos meus muitos causos. Muitos e muitos outros acontecem semanalmente, sem grandes surpresas. Recentemente adquiri um cachorro inflável para dar vazão a todos estes hormônios que interferem diretamente em minha vida social. Agora, se quiser conversar sobre física quântica ou astrologia, estamos aí.
por
Vanessa Marques | 2 alguéns
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