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Idéias de bar

Quarta, 6 de Outubro de 2004

* Texto publicado originalmente na seção Injeção intravenosa

Boa parte das idéias do mundo surgem no bar. A maior parte delas morre, graças ao bom Deus, logo depois, na quarta ou quinta dose de qualquer bebida barata. Outras, duram um pouco mais. Mas acabam perdidas entre o balcão e a corrida para o banheiro. Poucas sobrevivem à pilhéria dos amigos, ao escárnio do barman e à ressaca do dia seguinte.

O cara que escalou o Adan West para fazer o Batman da TV com certeza teve esta idéia no bar. Adan West, quando aceitou o papel, também estava no boteco, visivelmente embriagado. A rede de televisão que aceitou rodar o piloto só podia estar situada sobre um antigo cemitério de indígenas alcoólatras. Burt Ward, um dos Robins, vivia entrando e saindo de clínicas de recuperação contra o álcool. Ele se defendia dizendo que "para vestir isso aqui, só bebado mesmo. Essa sunga verde não combina nada, nada, nada com esse laranja, santa!!!".

Dr. Enéas Carneiro, do PRONA, pensou pela primeira vez em se candidatar a alguma coisa em um momento de loucura alcoólica. Dra Havanir, que estava no boteco com ele, não só deu apoio como achou interessante a idéia, antes de pedir mais uma rodada de stanheger. O restante da noite passaram abraçados. Ele gritando "meu nome é Enéas!". E ela, "o meu também!". Parece que ela estava uns dois stanhegers à frente dele.

Jânio Quadros, como é notório, renunciou à presidência numa ressaca brava. Arnaldo Antunes só pode fazer aquilo lá que ele faz em algum boteco sujo, chumbadão. Esse pessoal que sempre aparece no programa Vídeos Incríveis, atravessando um túnel em chamas com um CG, tentando percorrer 40 metros pendurado na fiação elétrica ou entrando em uma jaula com 7 ursos famintos com mel colado no corpo, só pode ter concebido essas idéias em algum bar sujo por ai. E, dessa vez, encorajados pelos amigos.

Mas o caso mais clássico mesmo é o do Dr. Frankeisntein . Uma vez, bêbado de conhaque, disse aos amigos que faria colagens de pessoas mortas e depois, a partir da descarga de um raio, daria vida à criatura. Seus amigos riram. Gargalharam. Dr. Frank Esponja, como era chamado pelos amigos, saiu do bar jurando vingança. Dias mais tarde, todos seus amigos apareceram mortos. Dizia-se que haviam sido mortos por uma estranha criatura composta por restos de outras pessoas mortas.

Dr. Frank, ao ouvir os comentários, ria sozinho entre um gole de cynar e outro. E, no fundo do bar, pensava em criar um outro ser, montado a partir de grandes beberrões mortos, para que fizesse companhia nas bebelanças, contasse piadas e trouxesse mulheres ao castelo. Nunca conseguiu finalizar seu segundo monstro, uma vez que não encontrava um fígado decente para sua criação.

Anos mais tarde, Deus, em um bar lá bem na esquina do purgatório com o paraíso, dando uma de cientista maluco, criou o que o Dr. Frank Esponja morreu tentando. E o batizou de Miéle.


psicografado por Sérgio Vinícius | 5 comentários