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FrioSegunda, 3 de Julho de 2006* Texto publicado originalmente na seção Injeção intravenosa Há um inverno mais frio que o frio sentido no inverno. Um inverno de frio mais profundo que aquele úmido sentido nos ossos. Mais cortante que o vento gelado que corta a pele e racha os lábios, termômetro desse frio inverno.Os lábios, frios, extremidade mais visível, ou tocável, talvez acompanhados por mãos e pés, denunciam o frio inverno que independe de astros, estrelas, planetas, rotações, translações, equinócios, solstícios ou outro palavrão, rendidos apenas por ele, frio. O frio do inverno da alma. Ou da ausência dela. Inverno de cada um, individual, pessoal e intransferível. Insuportável. Até acostumar-se a ele. Acostumado ao inverno interior, o fim chegou, mesmo que ainda esteja distante, num eterno inverno. Há um inverno mais frio que o frio sentido no inverno. Um inverno que sol nenhum esquenta. Apenas, quem sabe, uma batida mais forte de um coração.
bibibi e bóbóbó por:
Xandão | Fala mais pô!
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