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Enquanto isso, no universo paralelo...

Segunda, 4 de Setembro de 2006

* Texto publicado originalmente na seção Injeção intravenosa

- Oi, seu moço. Vê dois quilos de tema pra mim. Mas não quero coisa velha, hein?
- Dois quilos do quê, minha senhora?
- De tema. Serve qualquer um. Mas, se este açougue é de algum editor do Morfina, tenho certeza que vou levar pra casa pelo menos um quilo de temas relacionados à cachaça!
- Eu acho que está havendo algum engano. Aqui é um açougue, e a gente vende carne.
- É memo? Por falar em carne, ainda não vi um tema envolvendo churrasco no Morfina...
- Desculpa por apressar, mas a senhora vai querer alguma coisa ou posso chamar o próximo da fila?
- Que estranho... Tudo muito estranho! Por que será que nunca fizeram um tema relacionado ao churrasco, hein? Já teve até hermafroditas e trocadilhos, que são temas dificílimos, e churrasco parece ser tão fácil e nunca deu as caras...
- ...
- Vê um quilo de paraguaio pra mim. Mas corta em bife.
- Hoje só tem carne de boliviano.
- Comemos boliviano a semana passada inteira lá em casa. Ninguém aguenta mais. Já que não tem paraguaio, então me manda dois quilos de tema, vai...
- Só tem tema à rolê, já temperado com molho de cerveja.
- Ah, sabia que este açougue era do Morfina! O senhor tá aí tentando disfarçar mas não me engana! Tira essa máscara branca, tira! Tira!
- Gasp! Deixa a minha máscara aqui, sua maluca!
- Ahá! Sabiiiiiia que tinha carne de paraguaio! Você é o Melgar em pessoa!
- Droga, fui descoberto.
- Quero meus dois quilos de toucinho paraguaio.
- Eu dou os dois quilos de tema gratuitamente se a senhora deixar minha barriga em paz.
- Então embrulha os temas no capricho, com um pouco de preguiça e trocadilhos. Mas semana que vem o senhor não me escapa!
- Até lá o Morfina já vai ter apostado em alguma outra maluquice, como será regra neste mês. O episódio que acabou de ocorrer dentro deste açougue estará esquecido em algum antro de surrealismo ou lembranças apagadas de sonhos de outrora. Não será mais a realidade, como é neste momento.
- Bem que me falaram que o senhor tinha um jeito meio de boiola... Faz poesia até em açougue.
- Olha aqui... Pega este pacote de temas, o disco do Benito de Paula e some daqui.
- Boiola, boiola... rárárárá!

Viver num universo povoado pelo nonsense pode ser absolutamente insuportável.

por Vanessa Marques | alguém!