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Emiliano e Elimiano

Quarta, 14 de Dezembro de 2005

* Texto publicado originalmente na seção Injeção intravenosa

Depois de tomar umas no seu boteco preferido, Emiliano voltava a pé para sua casa, que ficava a poucos quarteirões. Cruzando uma esquina, viu uma pessoa com uniforme de gari vindo na sua direção. O cidadão se aproximou e disse:

- Alô numaho! Covê dope de mar um giçarro?

- Cuma? Giçarro?

- Ossi! Toues ifam de mufar.

- Caralho, não estou entendendo nada.

- É que lafo o imioda do nlapeta Lisdexia.

O que Emiliano não percebeu é que estava falando com um visitante do planeta Lisdexia. Nesse remoto local do universo, eles falavam um idioma muito parecido com o português, mas com algumas letras trocadas. Emiliano, inocente, achou que o rapaz era paraguaio e um pouco fanho, por isso a dificuldade de comunicação. Ficou com pena e chamou o novo amigo para tomar uma cerveja em outro boteco. Parece que Emiliano morava na Vila Madalena e tinha a sorte de ter muitos bares perto de casa.

- E aí amigo? Qual cerveja você quer tomar?

- Dope ser Ogirinal ou Hobemia.

- Hahaha, tá certo. Garçom! Traz uma garrafa de Hobemia para a gente.

Depois de algumas doses, Emiliano começou a entender mais ou menos o que Elimiano (era esse o nome do alienígena) falava. Como Emiliano tinha um tio lobisomem e um saci de estimação, não se chocou quando descobriu que o moço viera de outro planeta. Em alguns minutos, parecia que eram amigos há muito tempo. Elimiano (não confunda com Emiliano), falou sobre as suas desilusões e tristezas:


- Eu crepiso zafer almuga zoica rapa me vidertir. Vou telho, peu minto são nome mais.

Também cantou o hino de seu time do coração em Lisdexia:

- Valse o Roquinthians. Panqueão dos panqueoes...

A noite só acabou quando começaram a varrer o bar. Elimiano disse que tinha que voltar para o seu planeta, teria que trabalhar no dia seguinte. Emiliano (não confunda com Elimiano) acompanhou seu amigo até o seu Vamerick Inguertalático. No momento da despedida, o extraterrestre explicou como eles se despediam em Lisdexia.

- Aroga, a tenge tabe uma nhumpetinha um rapa o outro.

Elimiano não entendeu muito bem essa última frase. Mas, por via das dúvidas, saiu correndo em disparada para a sua casa. A situação estava ficando estranha demais.



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