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Coq au vin

Quarta, 26 de Janeiro de 2005

* Texto publicado originalmente na seção Injeção intravenosa

Era noite de conhecer o sogro. A sogra conhecera anteriormente, num rápido encontro. Aqueles cinco minutos conversando com senhora tão arrumada e perfumada já o deixaram apavorado. O que esperar do jantar na casa da namorada?

Bela casa. Arrumada. Limpa. Muito limpa. Quadros, objetos estranhos. Cadê o velho? Sofá bonito. Medo de sujar. Tudo muito limpo. Por que o velho não vem logo? O rango que comera na padoca começou a pesar.

Quis garantir. Sabia que seria um jantar chique. ‘Coq au vin’, avisou a namorada pelo telefone. Vai saber o que era isso. E se for ruim? Ou então servirem pouco? De repente é ruim e ainda servem pouco. Melhor garantir.

Sempre comia na padoca. Nada de Coq au vin. Geralmente comia no início da noite, pós-trabalho. Comida do almoço, esquentada. Parece até mais gostosa. Imagine se dá para esquentar Coq au vin, o que quer que seja isso, pensava sem parar.

Comeu uma bela pratada de arroz, feijão, batatas fritas e frango em molho. Só para garantir. Dois bons copos de Sangue de Boi. Para acalmar. Garantido e calmo, foi para o Coq au vin na casa da namorada. Cadê o velho porra?

Sofá bonito. Sentar sem sujar. O sogro demorou. Nem cinco minutos. Mas pareceu muito mais. Demorou. E sua janta borbulhando na barriga. Prazer é todo meu. Mãos suando. Conversa viada. Jantar servido. Coq au vin.

Parece bonito. Cheira bem. Mas aquele feijão queimando por dentro. Suando, pediu licença para ir ao banheiro. Mal provara o Coq au vin. Vomitou. Muito. Barriga cheia? Ao sogro, culpou a má digestão. Desde o almoço e aquilo parado no estômago.

Vergonha, vergonha. Lamentou com os amigos da padoca. Fez feio diante dos pais da namorada. Mas tudo estava claro. Maldito Coq au vin. Não estava acostumado à comida japonesa.

bibibi e bóbóbó por: Xandão | 2 já xingaram o técnico