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AmnésiaQuarta, 17 de Novembro de 2004* Texto publicado originalmente na seção Injeção intravenosa - ...E depois? - Bom, depois você saiu do carro nervoso para tirar satisfação com o rapaz da moto. - Tá. E ai? Eu bati nele? - Pelo contrário. Quando você viu o tamanho do brucutu, usou um artifício que eu chamaria de tática infarto - Meu Deus! - Pois é. Você afrouxou a gravata e simulou um ataque do coração. - E foi assim que eu vim parar aqui? - Calma, calma. Aí o rapaz da moto não acreditou na sua farsa. E partiu pra cima de você assim mesmo... - E aí eu apanhei e vim parar aqui? - Calma, nego! Nem cheguei na parte em que você desembestou a falar que era adido cultural de Cuba em visita ao Brasil. - O que? - Isso mesmo, adido. Bom, você falava audido, audido, mas acho que queria dizer adido mesmo e... - Ah, deixa pra lá. Não quero mais saber. - Entao tá... - Só mais uma coisa, então. Em que momento eu fiz essa tatuagem aqui? - Isso não é tatuagem. É coisa do mecânico que apareceu para apartar a briga. - Como? - Entao, o mecânico apareceu do nada e... - Ai meu Deus! Deixa para lá. Não quero mais saber o que aconteceu. Tô é ficando com medo. - ... - Não quer saber nem da freira... - Não! - ...que você tirou para dançar... - Não! - ...no meio da rua... - Não! - ...e que você rodopiou no ar... - Não! - ...e não teve reflexos para a aparar na descida... - Não! - ... e que caiu com a fuça no chão? - Não, não queria saber. Aliás, se quiser ir, vai nessa. Preciso descansar. - Tá bom. - Mas... Olha... Antes de sair, aproveita e chama a enfermeira. Meu soro acabou e... - Soro? Enfermeira? Onde voce acha que está? - Isso não é um hospital? - Pffffffff. Se quiser, agora que estou saindo, chamo o garçon e peço outro Cynar. Mas não mais do que isso. - Tá, pode ser. Aproveita e põe na junkebox aquela lá do Tom Waits.
psicografado por
Sérgio Vinícius | Comente
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