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Uma relação de amor e ódio

Segunda, 6 de Março de 2006

* Texto publicado originalmente na seção Genericos

*Por Thiago Aranha

Escrever sobre banho é, para mim, um dos jobs mais complicados que eu já peguei. Não, não é porque eu não tomo, aliás, hoje em dia não tenho problema nenhum contra banho. O lance é que falar de banho e discorrer sobre o assunto, leva-me de volta à minha infância, e isso sempre me emociona.

Acho que, como para muitos outros garotos, o meu primeiro grande inimigo foi o banho, passando depois, ao brócolis e, posteriormente, ao Bozo, de quem tenho medo até hoje. E também ao Lula, porque depois do Bozo fiquei com muito medo de palhaço.

Mas o banho tinha aliados. De alguma forma, eu achava que ele controlava minha mãe. Afinal, ela tomava banho todos os dias, e era uma entidade que sabia quando eu estava me divertindo. E estava sempre a espreita pra me tirar da rua, do videogame, da lama ou qualquer outra coisa muito legal que eu estivesse fazendo. Eu enrolava, fugia, esperneava e não queria ir de jeito nenhum pro banho. Não necessariamente nessa mesma ordem. Mas toda batalha tem uma trégua.

Aconteceu a partir dos meus 11, ou 12 anos. Foi uma época de ouro. Se antes era difícil me levar pro banho, agora mamãe e papai ficavam sempre à porta do banheiro, perguntando o que diabos eu ficava fazendo, que demorava tanto. Acho que, até meus 15 anos, eu fui, em alguma parte, responsável pelo racionamento de água da Sabesp.

Hoje, exceto algumas incursões sexuais frustradas por um escorregão e um box partido, a minha relação com o banho é extremamente funcional. Eu entro, me ensabôo, lavo a cabeça, e saio pra me enxugar.

Aliás, pra mim, a parte mais chata do banho é se enxugar. Bate uma preguiça enorme quando eu olho para a toalha, a toalha olha para mim. Eu chego a ficar alguns segundos parado, pra ver se eu seco por obra divina. Nunca acontece. Deviam inventar um secador gigante, igual àqueles de mão em banheiro de shopping, você sai do banho, se posiciona embaixo do secador, e pronto, tá seco. Seria lindo. Ah, quem ler este texto, nem tente fazer o secador, a idéia já foi patenteada.

Falando nisso, alguém financia?




Molhado, ensaboado e enxugado por Thiago Aranha, que escreve no blog quequefoi.blog.com.



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