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Sem Título

Segunda, 22 de Agosto de 2005

* Texto publicado originalmente na seção Genericos

por Paula Foschia*

“Feliz dia do Folclore!”
“Hein?”
“Hoje é dia do Folclore!”
“Grandes coisas.”
“O folclore, porra! O folclore! Sabia que o Brasil é um dos países com o folclore mais rico de todo o mundo?”
“Ah, tinha que ser. Petróleo, jazidas de ouro, tanta coisa, mas o Brasil tinha que ser rico justo em quê? Folclore, um treco de pobre. Típico.”
“Deixa de ser ignorante, cara. O folclore é coisa séria, é educativo. Por exemplo: o Curupira, o Saci Pererê, o Boitatá, o Caipora. O que esses personagens do folclore têm em comum?”
“Hum. Vejamos. Um menino com os pés virados pra trás, um negrinho perneta, um touro caolho e um guri com o corpo todo coberto de pêlo... arrá! Já sei! São todos deficientes físicos!”
“Não, seu burro! São todos defensores das matas e dos animais que vivem nas florestas.”
“Mas então são um bando de incompetentes! A Amazônia já é terreno mundial nos livros de geografia dos istêites, não demora muito os gringos nos levam as florestas todas, com esse bando de incompetentes deformados junto.”
“Cara, como você é burro! Essa história de livros de geografia americanos é uma balela, uma lenda urbana que circula na Internet.”
“Ah, claro. De verdade mesmo só o Negrinho do Pastoreio, que dormiu sentado no formigueiro mas acordou com o cu intacto.”
“A história não é assim! Foi Nossa Senhora que salvou o Negrinho do Pastoreio!”
“Arram. Eu queria é ver esse Negrinho do Pastoreio acordar numa banheira cheia de gelo e descobrir que roubaram o fígado dele! Aí sim! Vamos ver se Nossa Senhora ia salvar ele!”

* * *

“Hora de dormir, meu filho”.
“Ah não, mãe! Eu quero brincar mais um pouquinho”.
“Não, filho, já está tarde...”
“Eu não posso dormir agora, mãe, eu tô quase terminando essa fase do jogo!”
“Bom, tudo bem então. Mas depois não diga que eu não avisei do Bicho-Papão...”
“Ahn? Quem?”
“O Bicho-Papão”.
“Que diabo de bicho é esse?”
“Um bicho muito muito peludo...”
“Feito o Tony Ramos?”
“Muito mais peludo!”
“Nossa, coitado”.
“E com olhos muito vermelhos...”
“Feito o papai quando chega do bar?”
“Olha, meu filho, o Bicho-Papão é um monstro muito mau que fica escondido pela casa para assustar as crianças que não querem dormir na hora.”
“Arram”.
“Ué, não ta acreditando, é?
“Claaaaaaro que tô, mãe. Vai indo na frente que daqui a pouco eu vou.”
“Você não tá acreditando no Bicho-Papão! Depois não diga que eu não avisei....”
“Oquei”.
...

“E se eu disser que o Pokemon fica muito brabo com as crianças que não vão dormir na hora”?

*Paula Foschia é advogada e vai arder no inferno por isso. Escreve no site Epinion e acha muito estranho quem fala de si mesmo na terceira pessoa.



por Vanessa Marques | 7 alguéns