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Rumo à firma
Rumo à firma
Quarta, 31 de Maio de 2006
* Texto publicado originalmente na seção Genericos
*Por Camila Pratti
7h08. Depois do insistente despertador tocar por três vezes, resolvi levantar para não ter de ouvir novamente aquele som infernal. Tomei banho, depois um pingado, coloquei meu colar com sementes de açaí, bem colorido, e saí. Girei a chave na porta do meu automóvel, o “Fricote”, e, antes de abri-lo, olhei pelo vidro. Vi um CD da Clementina de Jesus, um do Trio Mocotó, uma lata amassada de Skol, alguns folhetos da Car System e uma flanela bem suja no chão do carro. Achei tudo bem estranho. Parecia que tinha rolado uma festa entre os flanelinhas e as mocinhas que distribuem panfletos no farol. E eles estranhamente pareciam estar ainda ali. Entrei no carro e sentei no banco do motorista. O Fricote começou a andar, mas não parecia que era eu quem o estava dirigindo. Olhava para as ruas e elas me eram familiares. A todo momento, eu torcia para que ele seguisse o percurso correto até a firma, a tempo de eu bater o cartão. Tudo corria bem até que olhei para o marcador de combustível. No vermelho. Passei por milhares de postos de gasolina e não sei por qual razão não entrei em nenhum deles. Então, torci para que o carro não ficasse parado no meio do Minhocão. Ainda sobre a maravilhosa obra arquitetônica do Seu Paulo, ouvi um barulho que me pareceu ser o de um pandeiro. Olhei pelo retrovisor e percebi que eu havia acabado de perder duas calotas do Fricote. De repente, o rádio começou a falhar e nem o CD da Clemê o fazia funcionar. 8h29. Enfim, chego à firma e saio do carro. Já do outro lado da rua, olho para trás e vejo os flanelinhas e as mocinhas dos panfletos retomando a festa regada a tango e tcha tcha tcha.
*Camila Pratti é jornalista. Ela não tem blog, não escreve regularmente em sites, mas samba como ninguém e tem um cabelo que é um luxo. Como não é possível ver nada disso via Morfina, esperamos que você tenha se divertido com o texto da garota.
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