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Quincas, o Bebido.
Quincas, o Bebido.
Terça, 20 de Junho de 2006
* Texto publicado originalmente na seção Genericos
por Polly Springfield*
- Rapaz, você viu? - O quê, o quê? - Quincas. Finou-se. - Partiu? - Escorregou no quiabo azedo. - Abotoou o paletó de madeira? - Embarcou. - Partiu desta pra uma melhor? - Tocou a craviola usando a orelha esquerda. - Descans... Peraí! Tocou a craviola usando a orelha esquerda? - Pra você ver como são as coisas. - Este eufemismo para “morreu” eu não conhecia, não. - Pois é, mas tente tocar uma craviola usando apenas a orelha esquerda pra você ver se não é a morte. - Imagino mesmo que seja. Mas morreu de quê, o pobre? - Cachacíase. Pingose. Males da marvada. - Bem desconfiei. Além de bêbado, era um torresmeiro de marca maior. - Certa vez comeu, sozinho, um leitão inteiro. - Bem me lembro. Foi no Natal de 1979. E a viúva? - Juraci ancas de gato? - A malévola. - A perdição em forma de mulher? - Aquele pedaço de mau caminho. - A mulher-maravilha do agreste? - É apelido novo? - Inventei agora. Mas enfim, Juraci está cantando num videokê ao lado do velório, uma hora dessas. - Muito triste? Canta “Ronda”, por um acaso? - Que nada. É “Festa”, da Ivete Sangalo. Tava abraçada a uma garrafa de Black Label que ganhou do Armandão - Mas que safada! - Não diga isso. É tradição na família beber os defuntos. - Bem desconfiei que havia alguma coisa errada quando vi um caminhão de cerveja embocando no cemitério. - Quando eu morrer, promete divertir minha mulher? - Será que devo? - Sirva-lhe licor de menta, um pouco de amendoim japonês. - Posso dar-lhe umas esfregadas nas costas, nas nucas? - Pode, pode. Eu sou um viado, mesmo. - Bom, então vamos buscar umas putas enquanto estamos vivos. E depois, para economizar no bar, levemos as meretrizes até o velório de Quincas. Parece que à partir das 16h vão servir a catuaba. - É hoje. Ainda bem que sempre trago ovo de codorna cozido nos bolsos das calças, para ocasiões como esta.
*Polly Springfield faz parte do inconsciente coletivo dos habitantes de Itabaianinha, cidade de anões nas cercanias de Aracajú. Além disso, ela faz crochê nas horas vagas e joga todo seu charme em cima de turistas paulistas.
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