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Medo de índio

Terça, 9 de Maio de 2006

* Texto publicado originalmente na seção Genericos

*Por Dener Gomes

Eu sempre tive medo de índios. Desde bem pequeno. Não, eu nunca pensei que eles viessem tirar meu escalpo ou então que um pajé iria prender minha alma em uma garrafa, mas meus encontros casuais com eles sempre foram meio traumáticos.

O trauma começou quando eu tinha uns 5 ou 6 anos. Eu costumava sentar com meu avô aos sábados para assistir ao Gigantes do Ringue. Um dia a atração principal era a luta entre Bob Leo, o Campeão Italiano, e o sujo Índio Comanche.

Tudo ia bem, quando o escroque do índio, em desespero de causa, pegou uma metade de um limão e passou a esfregar nos olhos do pobre Léo. Fiquei indignado, mas não tanto quanto meu avô que jogou a almofada na TV, dando um curto e queimando a bichinha. Duas semanas sem Gigantes do Ringue por causa daquele índio trapaceiro.

Passaram os anos e nada melhorou, pelo contrário. Não sei por qual motivo minha avó começou a cantar todos os dias a música Índia do Cascatinha e Inhana. Quem conhece essa música sabe o suplício que é agüentar aquela lenga lenga... “Índia seus cabelos nos ombros caindo, negros como a noite que não tem luaaaaaaaaaaaaaarrrrrrrrrrrr”... Argh!!!

Nem dos quadrinhos eu escapei. Vide o Papa-Capim que não me mete medo, mas é chato pra dedéu. Eu sempre torci para o Robinson Crusoé enfiar um coco na cabeça do Sexta-Feira. Até o Wilson, do Naufrago, é mais legal.

Mas se você acha que tudo acabou quando eu envelheci, se enganou. Basta ver que um dos autores dos gols dos 6 a 1, do Juventude sobre o Corinthians, foi o zagueiro Índio.

Mas o maior apuro que passei foi quando, voltando de um vestibular em Mogi, comecei a fazer inúmeras piadinhas sobre a tendência indígena doa moradores de Mauá. Era um ônibus fretado cheio. Quando parou no centro de Mauá, ficaram apenas os 6 piadistas. O restante ia levantando e olhando feio para nós, quase apontando seus arcos para nossas cabeças.

Por essas e outras que prefiro ficar distante dos primeiro moradores desse país varonil.


*Dener Gomes é corintiano, maloqueiro, sofredor, jornalista e eventual colaborador do Morfina. Graças a Deus!



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