Blogs do Morfina
Menu Lateral
Perticipe do Morfina Sobre o Site Fala com a gente Acesso o arquivo Participe do Morfina
Home > > Tempo de fazer amigos*

Tempo de fazer amigos*

Terça, 27 de Junho de 2006

* Texto publicado originalmente na seção Efeitos colaterais

Ir a uma Copa do Mundo é uma experiência que todo mundo deveria se esforçar para viver. Nem que for ao menos por um dia. A sensação de participar da festa é tão diferente que eu poderia escrever linhas e linhas sobre o assunto sem chegar nem perto de transmiti-la.

Afinal, é só lá que você tem a chance de ver argentinos e brasileiros abraçados, iranianas sambando feito loucas, americanos e árabes bebendo cerveja juntos, meninas trocando a camisa no meio da rua sem a mínima safadeza, alemãs fazendo pagode e pessoas de todas as nacionalidades falando línguas diferentes e mesmo assim se comunicando.

É só durante a Copa do Mundo também que um jogo de futebol se transforma de verdade no acontecimento mais importante deste mundo. Dentro do estádio, você fica maluco. Depois, o apito final funciona como um sonar que celebra o início automático de uma festa com todas as cores, sem brigas, preconceitos, nada. Não importa quem ganha, quem perde ou quem empata. O que vale mesmo é a festa, os abraços, as provocações, as risadas. Enfim, a pura união.

São pretos, brancos, saxões, escandinavos, índios, amarelos, árabes e tudo o mais felizes. Cantando, dançando, trocando a camisa ou jogando bola no gramado do albergue numa boa. Meninas desfilando de calcinha de fora por puro desleixo, pouco se importando com o resto do mundo, meninos entoando gritos de guerra nas cervejarias, ruas, praças e metrôs com toda a força desse mundo, saudando seus países, os anfitriões e até mesmo os maiores rivais. Como se o mundo fosse lindo, perfeito. E durante a festa, naqueles dias, você tem certeza de que ele é. É demais.

Na Copa, todos os ritmos e estilos são bem vindos. Em todos os lugares. Em 2006, tinha até alemães emocionados pedindo desculpas pela mancha que deixaram na História. E isso em uma cidade que até hoje sustenta um campo de concentração como museu...

Enfim, sei que, escrito assim, tudo isso parece a coisa mais piegas desse mundo. Mas vivido pessoalmente, ali, é impressionante. Impressionante mesmo, no duro. Inesquecível, marcante, algo que pode mudar sua cabeça para sempre.

É uma festa sem igual, com hinos próprios, cenários incríveis, aquelas musiquinhas de viagens que ficam na sua cabeça para sempre, sabe? Todo mundo vibra, canta, bebe muito, come de tudo, se abraça, cria bordões, bate foto, fala em sua língua mal do outro que está do seu lado e não entende nada, mas racha o bico mesmo assim e por aí vai.

De repente, crianças pedem para posar com adultos, gente de países que nem estão na Copa participam da festa, garotos e adultos choram por receber um souvenir adversário, policiais com caras de mal dão risada de tudo, comerciantes te tratam como cachorro dentro do negócio deles, mas depois são as pessoas mais simpáticas do mundo na rua, você é barrado em uma balada e recebido como rei em outra. É uma miscelânea danada.

Basta experimentar para viciar. Você volta de uma Copa com o único objetivo de acompanhar de perto todas as Copas enquanto viver. Dane-se o dinheiro, o esforço, os projetos, tudo. Sério mesmo, sem brincadeira. É só ir uma vez até lá para descobrir que a vida é muito mais do que tudo isso.

Mas vou parar por aqui, pois de cara disse que é impossível descrever todas as sensações vividas na festa. Acho que nem o melhor escritor do mundo conseguiria. Por isso, resta-me apenas voltar a dizer que ir a uma Copa do Mundo é uma experiência que todo mundo deveria se esforçar para viver. Nem que for ao menos por um dia.

* Este é o lema da Copa do Mundo da Alemanha de 2006. É perfeito.

Texto de Dr. Peçanha, repórter especial do Morfina na Alemanha. Despesas pagas por uma rifa de um video-cassete.



bibibi e bóbóbó por: Xandão | Fala mais pô!