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Começou!

Segunda, 12 de Junho de 2006

* Texto publicado originalmente na seção Efeitos colaterais

A partir de hoje o meu único objetivo na vida é ir a todas as Copas do Mundo. Futebol? Até agora vi muito pouco. Mesmo porque eu sou brasileiro e quem carrega uma camisa verde-amarela no corpo não precisa olhar o jogo para dizer quem vai ganhar ou para fazer comentários sobre a partida. O mundo te respeita simplesmente por você existir...

Quem chega a Berlin não acredita que a capital alemã está recebendo uma Copa do Mundo. Minutos antes do início da abertura oficial do torneio, os alemães pareciam impassíveis. As ruas não estavam desertas e pouquíssimas bandeiras enfeitavam os Mercedez, que passavam como se nada estivesse acontecendo.

Não sei se é um mecanismo de defesa porque eles sabem que provavelmente perderão a Copa, mas os alemães estão fazendo de conta que não estão muito preocupados em vencer. Mas a tal "frieza do povo" pára por aí. Aliás, é impossível se manter frio ao lado de torcedores malucos do México, Argentina, Itália, Portugal, Irã, Polônia, Equador, Costa Rica, Venezuela, Croácia, Tunísia, Brasil e de todas as partes do mundo que eu, por descuido, não citei.

É disparada a festa mais contagiante que eu já participei. Todos que gostam de futebol de verdade foram assistir aos jogos nos telões instalados no Portão de Bandenburgo. O local onde há alguns anos estava um dos maiores símbolos da guerra, o Muro de Berlin, foi invadido por torcedores fanáticos, engraçados e dispostos. Ninguém entende o idioma de ninguém e a língua oficial é o abraço.

As pessoas se dirigem às outras e tentam perguntar de onde elas são. Em seguida, todos gritam juntos o nome do País visitante, oferecem cerveja, tiram algumas fotos e se abraçam.

No quesito barulho, torcedores de três nacionalidades se destacam: os mexicanos (que só pelos trajes já seriam os mais legais), os brasileiros e os próprios donos da casa. No Portão de Bandenburgo é comum ver grupos de alemães com cabelos pintados e cornetas nas mãos, bebendo cerveja.

A Alemanha venceu na estréia. O Equador também. Poloneses e costa-riquenhos ficaram tristes. A tristeza, porém, não durou muito. Depois dos jogos, o Portão virou uma grande balada, levada pelo hit Love Generation, do Bob Sinclair.

Às 22 horas o sol começa cair em Berlin, mas a festa continua até umas duas horas da madrugada. Hoje tem mais. E em 2010 também...

    

vem que é bão com a Rogéria | [1] veio