![]() |
|
![]() |
Volver (2006)Quinta, 1 de Novembro de 2007* Texto publicado originalmente na seção Coluna do Autor Pegue seu carro e saia para ver um filme sozinho. Você compra o ingresso e tem que ficar rodando um pouco enquanto não começa a sessão. Num shopping é difícil encontrar um lugar para fumar; o cigarro é um bom companheiro para os solitários. Gaste algum tempo numa livraria, dessas grandes, em que se pode ficar horas fuçando, sem que nenhum vendedor venha perguntar o que você quer encontrar. Detesto ter que falar que estou só olhando. Então você vai para a sala, torce para ninguém sentar ao seu lado (tenho essas frescuras), vê os trailers e a coisa começa. Fui para gostar, não nego. Os diretores dos quais gosto muito têm de se esforçar para me decepcionar, alguns conseguem. Aqui não é o caso. Acontece, porém, um estranhamento. Sabe quando você não saca? Aqui chego ao que de fato quero falar. Alguns filmes crescem na sua cabeça. Ficamos pensando neles depois que as luzes se apagam. Sozinho, esse fenômeno fica ainda mais claro. Matutava: “Que bosta foi aquela?” Uma tia se fingindo de fantasma, pai que come a filha, peidos... Meio podreira (na falta de uma expressão mais adequada). Acho que, como quase todos, estou acostumado a ver o mundo asséptico na tela. Mas a ficha caiu, o filme é bom, sim. É bonito. Aquela mulher é linda, tenho um negócio com essa atriz. Com a personagem também. Segura o mundo nos ombros e continua um tesão. O Almodóvar pode ser bicha, mas tem fascinação pelas mulheres (o que, pensando bem, não é nada contraditório). Aí você entra no carro com aquela sensação, não sei se você me entende, de acabar de ver um filme ou ler um livro fudido e pensar “será que um dia serei capaz de fazer algo assim?” Acho que isso pode ser chamado de inspiração, de vontade de criar. De qualquer modo você dirige, acende seu cigarro, chega em casa, liga a TV, dorme, acorda, vai trabalhar e, finalmente, ela passa. Então você volta a babar...
inventado por:
Robinson Melgar | Eba! 10 já me deram atenção
|