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Visite Nosso Toalete

Terça, 19 de Junho de 2007

* Texto publicado originalmente na seção Coluna do Autor

Um retrato da personalidade de um estabelecimento é seu toalete. Qualquer um sabe disso. Em particular aqueles mais preocupados com a higiene do estabelecimento – em geral a mulherada. Ainda que bem poucos visitem a cozinha, como se sugere na lei e nas plaquinhas dos restaurantes e botecos, muitos visitam, invariavelmente, o toalete. Seja por necessidade fisiológica, seja por pesquisa antropológica – como é o meu caso. Logo voltam dizendo para a mesa ou pensando para si, na hipótese (1) de deparar com um toalete cheirosinho: “Ah, o banheiro é limpinho, viu, pode pedir a porção de provolone à milanesa”; ou, contrariando, na hipótese (2) de topar com uma poça de xixi, papel higiênico lixa-bunda cor de rosa, privada sem tampo e cordãozinho da descarga encardido pingando, ponderam: “O banheiro é uma lástima, aqui só como salgadinho de pacote. E é melhor olhar bem se a validade não está vencida!”.

Porém, mais que a higiene do toalete em si, o caminho para se chegar ao toalete é um indicador legítimo de sua personalidade. Recapitulando alguns botecos que visitei em minha carreira, encontrei alguns exemplos emblemáticos, tais como:

  • Mercearia São Pedro: o toalete literato. Para ir ao banheiro você passa por centenas de livros, todos aprovados pelos intelectuais de plantão. E ainda corre o risco de comprar mais um livro que você adoraria, mas nunca lerá;

  • Padaria 24hs da Fradique: o toalete lisérgico. É um verdadeiro labirinto de Dédalo. Eu, particularmente, uso a tática das migalhas de pão que sobra da porção de calabresa na cachaça para não me perder na volta;

  • São Cristóvão: o toalete gol. Além da famosa trave de botão no mictório para os meninos acertarem melhor a pontaria, a genial foto da barreira de argentinos com a mão nas bolas faz valer a pena esperar na fila. Minha recomendação é cuidar para não ver o Maradona pelado que figura no quadro ao lado, evitando vomitar ainda na porta do toalete;

  • Original: o toalete mercenário. Primeiro estabelecimento do Brasil em que vi uma tevezinha passando trailer de filme. Além disto, o caminho não teria muito a acrescentar, além de uma inspiradora pilha de barris de chope;

  • Rincón de los Canallas (Santiago do Chile): o toalete metafórico. Após um par de Maremotos, Terremotos e outras catástrofes etílicas, ao ir ao toalete o mijão ou mijona opta: “La zona de la Sacudida” ou “La zona de la Catarata”. E olha que original é o nome do bar anterior...

    Etcétera.

    Já que a essência do boteco gira em torno fundamentalmente de uma troca de líquidos entre bar e cliente, cliente e bar, nada mais justo que a ida ao toalete revele a essência do boteco para o usuário fiel.



    O Aloísio que não é do campo é o Aloísio da Cidade | 4 leitores já mijaram neste póst