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Uma missão messiânicaSexta, 12 de Janeiro de 2007* Texto publicado originalmente na seção Coluna do Autor Muitos ficam indignados com os políticos, com a pobreza, com a violência, com o desmatamento da Amazônia, com as guerras. Essa indignação dá origem a protestos, discursos e, claro, intermináveis discussões de boteco. Expressá-la gera nas pessoas um sentimento de importância. Sentem-se engajadas, conscientes e, principalmente, impressionam as menininhas do escritório.Os grandes temas, entretanto, não são a única fonte de indignação. Ela pode vir também dos talentos-mirins (pequenos cantores e atores), das novelas do Manoel Carlos ou dos carecas adeptos do tampão (aquela tentativa patética de cobrir a calvice com meia dúzia de fios, sabe?). Mas essa é uma indignação sem pompa, sobre a qual multidões silenciam com medo de serem taxadas de alienadas – “tanta criança passando fome na Etiópia e você preocupado com a versão que a Ana Carolina fez da música do Demian Rice?” E, claro, porque essa indignação não impressiona as menininhas do escritório, que provavelmente gostam da versão que a Ana Carolina fez da música do Demian Rice. Ciente disso, resolvi me auto-proclamar porta-voz das indignações menores. Uma missão messiânica. Serei taxado de alienado por muitos e não impressionarei as menininhas do escritório, mas estou disposto a assumir o risco. (Até porque no escritório não tem nenhuma menininha que me interesse.) A partir de agora, você encontrará neste espaço textos que, sem dúvida, despertarão sua indignação. Mesmo que a combinação de cinto e sapatos caramelo ou os chatos que falam alto no cinema não deixem você indignado, a qualidade dos textos e o tempo perdido com eles darão conta do recado.
Aquela coisa toda por
Leandro Leal | 2 descendo o pau
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