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Um livro pelo título

Sábado, 31 de Maio de 2008

* Texto publicado originalmente na seção Coluna do Autor

Walter Ruffos deve ter as mãos decepadas. Ou os olhos furados.

Na inquisição esta sentença seria cumprida - sinto falta dela.

Ninguém poderia escrever cousa pior, nem mesmo um analfabeto. Seja durante a inquisição, hoje ou daqui a setecentos e doze anos.

Um dos orangotangos eternos imaginados por Veríssimo no seu livro em homenagem à Borges produziria algo melhor, e em menor tempo.

Previu o gaúcho que se houvesse um orangotango que vivesse eternamente e lhe fosse dado infinito suprimento de papel e caneta chegaria um determinado momento em que ele escreveria tudo o que já foi escrito pela humanidade e, logo, passaria a escrever coisas novas.

Pode ser verdade, até é crível. Mas não funcionaria se Walter Ruffos fosse o orangotango.

Não sou grande estudioso da obra de Walter Ruffos. Não sei se sua merece ou exige algum estudos. Me parece tão profunda quanto um pires.

Na verdade sequer cheguei a ler Walter Ruffos, mas alguém que escreve um livro com o nome de “a paixão intercorrente de Zezete Wäins” não merece o respeito.


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